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Números não batem: setor hoteleiro dos EUA teme baixa ocupação para Copa do Mundo

A onda de entusiasmo parece estar esfriando, segundo vários indicadores.
Números não batem: setor hoteleiro dos EUA teme baixa ocupação para Copa do MundoGettyimages.ru / Al Bello

A expectativa de um fluxo massivo de turistas internacionais para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, tem gerado preocupação no setor hoteleiro dos Estados Unidos, segundo um relatório recente da Associação Americana de Hotéis e Alojamentos (AHLA).

O relatório revela que as reservas para o torneio ainda estão muito aquém do que era previsto, contrariando a tendência de popularidade global do evento.

Pela primeira vez, a competição será sediada por três paísesMéxico, Estados Unidos e Canadá.

No entanto, o levantamento intitulado "Panorama Hoteleiro da Copa do Mundo da FIFA 2026" aponta que o interesse não se traduziu em reservas hoteleiras expressivas.

O estudo indica, inclusive, que o volume de viajantes domésticos está superando o de visitantes estrangeiros, um cenário atípico para um evento de tal magnitude.

O efeito Trump?

De acordo com a AHLA, uma série de fatores combinados explica a baixa demanda. Entre os principais motivos citados estão o cancelamento de reservas de quartos realizados pela própria FIFA, o aumento dos custos de viagem e barreiras de entrada no país.

O relatório destaca que as exigências de vistos, reforçadas pelas políticas do governo de Donald Trump, somadas a incertezas geopolíticas, têm atuado como um forte limitador para o deslocamento de turistas internacionais.

Para o estudo, a organização entrevistou hoteleiros das cidades-sede, incluindo Nova York — onde ocorrerá a final —, Los Angeles, Miami, Dallas, Houston, Atlanta, Boston, Kansas City, Filadélfia, San Francisco e Seattle.

O resultado foi contundente: 80% dos consultados afirmam que as reservas estão abaixo das projeções originais. O documento também menciona que o excesso de reservas feitas pela FIFA no ano passado criou uma falsa sensação de demanda precoce, que agora está sendo recalibrada.

Rosanna Maietta, presidente e diretora executiva da AHLA, afirmou que, embora exista um entusiasmo real com o torneio, os dados atuais exigem uma perspectiva mais cautelosa.

Segundo ela, apesar dos anos de preparação, o setor deve enfrentar um cenário de ocupação moderada, em vez do preenchimento total que se esperava para a maior competição de futebol do planeta.