Sífilis e gonorreia atingem níveis recordes na Europa em 2024

Os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) refletem 106.331 casos de gonorreia, um aumento de mais de 303%.

As infecções bacterianas sexualmente transmissíveis, especialmente a sífilis e a gonorreia, atingiram níveis recordes na Europa em 2024, de acordo com um comunicado divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

Os dados refletem 106.331 casos de gonorreia, um aumento de mais de 303% em comparação com 2015, além de 45.577 casos de sífilis. A clamídia continua sendo a IST mais comum, com 213.443 casos positivos, enquanto o linfogranuloma venéreo (LGV) registrou 3.490 casos.

"As infecções sexualmente transmissíveis estão em ascensão nos últimos 10 anos", disse Bruno Ciancio, chefe da Unidade de Doenças Transmissíveis Diretamente e Preveníveis por Vacinação. Esse aumento se deve tanto às melhorias nos sistemas de vigilância e testagem quanto às mudanças no comportamento da população, especialmente a menor frequência do uso de preservativos.

"Sem tratamento, essas infecções podem causar complicações graves, como dor crônica e infertilidade, e, no caso da sífilis, problemas cardíacos ou do sistema nervoso", relatou o especialista.

Homens que fazem sexo com homens representam o grupo com o maior número de infecções, enquanto entre a população heterossexual, a incidência de sífilis em gestantes é particularmente notável. 

Apelo à prevenção e detecção

O ECDC alerta que a sífilis transmitida de mãe para filho pode causar consequências para toda a vida e, portanto, recomenda a otimização do rastreio pré-natal e a disponibilização de tratamentos que previnam a transmissão durante a gravidez.

No entanto, Ciancio acredita que "proteger a saúde sexual continua sendo simples", aconselhando o uso de preservativos com parceiros novos ou múltiplos, bem como a realização de exames caso surjam sintomas como dor, corrimento ou úlceras.

O centro urge as autoridades de saúde a atualizarem urgentemente suas estratégias nacionais e fortalecerem os sistemas de vigilância. Caso contrário, os problemas de saúde se agravarão, assim como as desigualdades no acesso aos serviços de saúde.