A Rússia iniciou exercícios para o emprego de suas forças nucleares "em caso de ameaça de agressão", anunciou o Ministério da Defesa do país.
As manobras, que iniciaram na terça-feira (19) e se estendem até esta quinta (21), envolvem mais de 64 mil militares e aproximadamente 7.800 peças de equipamento militar. Dentre estes equipamentos, estão mais de 200 lançadores de mísseis, 73 navios de superfície e 13 submarinos, entre eles 8 submarinos de mísseis estratégicos.
Os exercícios incluirão a prática do uso de armas nucleares implantadas tanto na Rússia quanto em Belarus.
"A fim de aumentar a capacidade das forças armadas de empregar armamentos modernos, incluindo munições especiais, [...] iniciou-se o treinamento de unidades militares no uso de armas nucleares em combate e na logística dessas armas", afirmou o Ministério da Defesa de Belarus, na segunda-feira (18).
A organização declarou que "o principal objetivo deste exercício será testar a capacidade de conduzir missões de combate a partir de áreas não preparadas em toda a República de Belarus", com "ênfase especial no treinamento de operações furtivas".
Segundo o coronel russo reformado Viktor Baranets, analista militar do jornal Komsomolskaya Pravda, os exercícios são extremamente relevantes num momento em que os países da OTAN estão a adotar uma retórica excessivamente agressiva.
Em entrevista à RT, o especialista explicou que esses tipos de exercícios "incluem o transporte de munições para plataformas de lançamento, testes de sistemas de comunicação, camuflagem e movimentações furtivas em áreas florestais".
"Acima de tudo, será praticado o uso de forças nucleares no teatro de operações ocidental. Além do teatro ocidental, há também o teatro de operações noroeste, principalmente associado ao Ártico, onde os Estados Unidos e seus aliados não estão dispostos a levar em consideração os interesses russos", acrescentou.
« POR QUE O ÁRTICO É TÃO ATRAENTE DO PONTO DE VISTA GEOPOLÍTICO? SAIBA MAIS »
Segundo o especialista militar Viktor Litovkin, os atuais exercícios nucleares das Forças Armadas Russas estarão entre os maiores das últimas décadas.
"A Rússia nunca anunciou antes o envio de um número tão grande de submarinos para exercícios. Trata-se de manobras em larga escala de forças nucleares estratégicas, talvez as maiores dos últimos 30 ou 40 anos", observou.
O contexto diplomático
Para Baranets, os exercícios estão sendo realizados, em parte, para enviar um sinal ao Ocidente para que modere suas intenções agressivas.
"Ontem, o Ministro das Relações Exteriores da Lituânia declarou abertamente que as tropas da OTAN deveriam ocupar Kaliningrado. A Rússia não deve ignorar isso. Acredito que esse fator também será levado em consideração durante os exercícios", declarou o coronel.
As manobras conjuntas ocorrem em meio a relatos de planos da França e da Polônia para realizar exercícios nucleares que incluem ataques contra alvos na Rússia e em Belarus. Em abril, foi anunciado que caças Rafale franceses, capazes de transportar mísseis com ogivas nucleares, participarão desses exercícios.
Em quais mecanismos de dissuasão estratégica a Rússia se baseia?
Na opinião do especialista Litovkin, os atuais exercícios das Forças Armadas Russas devem deixar claro para países hostis que a resposta de Moscou à agressão será devastadora.
"Se eles atacarem, a resposta será catastrófica para eles. Temos mísseis estratégicos modernos que os Estados Unidos não possuem.", concluiu o especialista.