
México critica 'sussurros externos' de agências de segurança dos EUA

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou nesta quarta-feira (20) o papel desempenhado historicamente pelas agências de segurança dos EUA, e não apenas em território mexicano.
"Essa é a história das agências dos Estados Unidos no mundo inteiro: chegam para se apoderar da casa e dizer: 'agora quem manda sou eu'", afirmou a mandatária durante entrevista coletiva, em meio às polêmicas provocadas pelas políticas intervencionistas de Washington, apoiadas pela oposição mexicana.

Sheinbaum também afirmou que suas declarações eram dirigidas aos setores que promovem a participação de agências norte-americanas em operações no México. Sem citar nomes diretamente, a presidente se referiu à governadora de Chihuahua, Maru Campos, que autorizou a presença de agentes da CIA no desmantelamento de um laboratório de drogas, apesar de a prática ser ilegal, e ao prefeito de Chihuahua, Marco Bonilla, que colocou nas viaturas oficiais o escudo e a sigla do Departamento de Polícia de Nova York.
"Uma coisa é colaborar, outra é abrir a porta da sua casa para que alguém se aproprie da sua cozinha, da sua sala e comece a dar ordens", afirmou a presidente em uma metáfora sobre a atuação de governos estrangeiros.
"Quando você abre a porta da sua casa para um governo estrangeiro ordenar o que deve ser feito, está entregando as chaves da casa", acrescentou. Sheinbaum explicou que cooperação é diferente de permitir interferência estrangeira nas decisões internas.
Segundo a presidente, o objetivo daqueles que insistem em aceitar a suposta "ajuda" oferecida pelos EUA é o "intervencionismo e a submissão" a outro país, permitindo que decisões nacionais sejam tomadas do exterior. "Não devemos nos deixar levar por sussurros externos, hipocrisias baratas ou por quem tem outros interesses", advertiu.
