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'Propaganda': Polônia prende três cidadãos por 'elogiar publicamente' operação da Rússia na Ucrânia

Autoridades polonesas afirmaram que os suspeitos produziram material de propaganda e desinformação em apoio à ofensiva russa. O grupo também é investigado por suposta espionagem.
'Propaganda': Polônia prende três cidadãos por 'elogiar publicamente' operação da Rússia na UcrâniaGettyimages.ru / Klaudia Radecka/NurPhoto

A Agência de Segurança Interna da Polônia (ABW) anunciou a prisão de três cidadãos poloneses suspeitos de atuar em favor da Rússia e de produzir materiais de "propaganda" e "desinformação" relacionados a elogios sobre a operação militar russa na Ucrânia. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (20) pelo ministro Coordenador dos Serviços Especiais da Polônia, Tomasz Siemoniak

Segundo a ABW, os detidos são acusados de "promover símbolos que apoiam" a operação da Rússia contra a Ucrânia e de "elogiar publicamente" a ofensiva militar russa. As prisões ocorreram em 12 de maio, na cidade de Białystok.

De acordo com as autoridades, os suspeitos também teriam participado da produção e divulgação de conteúdos considerados propagandísticos, além de arrecadar recursos destinados à compra de equipamentos para militares russos.

O que diz a investigação?

A investigação, conduzida sob supervisão da Procuradoria Nacional da Polônia, afirma ainda que os três atuavam sob ordens de um suposto cidadão russo, que não teve identidade revelada, ligado ao Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB).

Segundo a ABW, o grupo, composto por pessoas de idades entre 48 e 62 anos, realizava atividades de inteligência, incluindo o possível reconhecimento da localização de tropas da OTAN em território polonês. Os investigados também teriam supostamente participado de treinamentos de tiro e de táticas de combate, apontados pelas autoridades como preparação para ações de sabotagem e subversão.

A Justiça da Polônia determinou prisão preventiva de três meses para todos os suspeitos.

Operação Militar Especial

Em 24 de fevereiro de 2022, o presidente russo anunciou o início de uma operação militar especial na região de Donbass. Em seu discurso aos cidadãos, Putin afirmou que a decisão foi tomada com base no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, com o aval do Conselho da Federação e em conformidade com os tratados de amizade e assistência mútua firmados com a República Popular de Donetsk e a República Popular de Lugansk, ratificados pela Assembleia Federal em 22 de fevereiro de 2022.

"Seu objetivo é proteger as pessoas submetidas a abusos e a um genocídio perpetrado pelo regime de Kiev ao longo de oito anos", declarou. "Para isso, envidaremos esforços para desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, levando à justiça aqueles responsáveis por inúmeros crimes sangrentos contra civis, inclusive contra cidadãos russos", acrescentou.

Em decorrência da liberação dos territórios, foram realizados referendos em quatro regiões – nas áreas sob controle das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, e nas regiões de Zaporozhie e Kherson –, em setembro de 2022. Segundo os resultados, esses territórios passaram a integrar a Federação da Rússia, com os documentos sendo assinados, no Kremlin, por Putin e representantes locais.

"Por trás da escolha de milhões de residentes das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, das regiões de Zaporozhie e Kherson, está nosso destino comum e uma história milenar", afirmou Putin durante a cerimônia.