O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, criticou nesta quarta-feira (20) o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, por tentar desvincular Washington das graves consequências provocadas pelo bloqueio econômico, comercial e energético imposto a Havana há mais de meio século.
"O secretário de Estado repete seu roteiro mentiroso e tenta culpar o governo de Cuba pelos danos impiedosos que o governo dos EUA provoca ao povo cubano", denunciou Rodríguez por meio de sua conta no X, horas depois de Rubio tentar minimizar as consequências do bloqueio norte-americano contra a ilha, agravado na área energética por ordem do governo Donald Trump.
Nesse sentido, o chanceler cubano classificou Rubio como "o porta-voz dos interesses corruptos e revanchistas, concentrados no sul da Flórida e que não representam os sentimentos da maioria do povo americano, nem dos cubanos que vivem ali".
Além disso, rejeitou o discurso do secretário de Estado por insistir em mencionar uma ajuda "de 100 milhões de dólares que Cuba não rejeitou, mas cujo cinismo é evidente para qualquer pessoa diante do efeito devastador do bloqueio econômico e do cerco energético".
Por fim, classificou como "nefasta" a data escolhida por Rubio para se dirigir aos cubanos, já que coincide com mais um aniversário do "período neocolonial de Cuba, como apêndice dependente dos EUA e ao qual o principal diplomata americano pretende que Cuba retorne".
"A Cuba neocolonial e a Emenda Platt pertencem ao passado. O presente e o futuro são a independência e a soberania", concluiu.
Ameaça a Cuba a partir dos EUA
Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região.
O texto acusa, sem apresentar provas, o governo cubano de alinhar-se com "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e supostamente permitir o envio à ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que contrariem a ordem executiva da Casa Branca.
A medida ocorre em meio à escalada de tensão entre Washington e Havana. Na semana passada, Rubio afirmou que planejavam impor novas sanções contra Cuba e, na segunda-feira (18), foram aplicadas medidas coercitivas contra vários integrantes do gabinete do presidente Miguel Díaz-Canel.