Rússia e China condenam ordem mundial unipolar e 'lei do mais forte'

Em declaração conjunta, Moscou e Pequim criticaram políticas hegemônicas, sanções unilaterais e ações militares que, segundo os países, ameaçam a estabilidade global.

Rússia e China emitiram nesta quarta-feira (20) uma declaração conjunta contra políticas hegemônicas que, segundo os dois países, dificultam a construção de um mundo multipolar.

No texto, Moscou e Pequim reiteram oposição ao "hegemonismo", ao "unilateralismo" e ao "retorno a um mundo onde só vale a lei do mais forte".

Os dois países também defenderam o papel central das Nações Unidas na política internacional, em meio à rivalidade geopolítica, conflitos locais e instabilidade global.

Segundo a declaração, essa turbulência é "alimentada pela política agressiva de uma série de países que atuam com lógica hegemônica e neocolonial", "atentam contra a soberania" de outros países e "freiam seu desenvolvimento econômico" por meio de sanções.

Moscou e Pequim pedem a eliminação de "medidas coercitivas unilaterais ilegais que minam o direito internacional, os princípios e os objetivos da Carta das Nações Unidas".

O texto afirma que esses princípios são violados "gravemente" por ataques militares contra outros países, pelo uso de negociações como pretexto para preparar ofensivas, assassinatos de representantes de governos soberanos e ações para desestabilizar a política interna de outros Estados.

A declaração também cita a "provocação de mudanças de poder" e o "sequestro descarado de líderes nacionais para submetê-los a julgamento".

Os dois países afirmam que "rejeitam categoricamente" essas práticas, por considerarem que violam normas do direito internacional e causam "dano irreparável" às bases da ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Preocupação com armas nucleares e mísseis

Putin e Xi também condenaram "provocações" e "ações hostis" de Estados nucleares contra países que possuem armas de destruição em massa.

Segundo a declaração, alguns países com armas nucleares, movidos pela "fé cega na lei do mais forte", buscam obter "vantagem militar absoluta", ampliam alianças militares sem controle e posicionam infraestrutura estratégico-militar perto de outros Estados nucleares.

Rússia e China ainda expressaram preocupação com planos de alguns Estados para o deslocamento de mísseis de médio e curto alcance. Para Moscou e Pequim, essas medidas têm "caráter altamente desestabilizador" e representam uma ameaça estratégica aos países contra os quais são direcionadas.