Moscou acusa agência nuclear da ONU de omissão: 'Cegos e surdos'

Para a chancelaria russa, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se posiciona rapidamente quando possíveis alvos são do Ocidente, e dá resposta "vaga e inconsistente" diante de ameaças do regime de Kiev, EUA e Israel.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou nesta segunda-feira (19) a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de adotar uma postura seletiva conforme os interesses políticos envolvidos.

De acordo com Moscou, a agência ligada à ONU reage imediatamente quando alvos são de aliados do Ocidente, como os Emirados Árabes Unidos. Enquanto isso, quando a Rússia ou o Irã sofrem ataques em instalações nucleares, a resposta é "vaga e inconsistente".

Zakharova defendeu que a segurança nuclear global está sendo ameaçada por ataques recorrentes a infraestruturas atômicas e criticou o que chamou de "omissão da AIEA diante de ações do regime ucraniano", dos Estados Unidos e de Israel.

Usina russa

Segundo a diplomata, os ataques do regime ucraniano à Usina Nuclear de Zaporizhzhia e à cidade de Energodar continuam ocorrendo há anos, com apoio do Ocidente e de suas estruturas diplomáticas.

Ela citou especificamente a queda de um drone do regime ucraniano próximo a uma usina em 16 de maio, afirmando que não houve uma reação imediata da agência nuclear da ONU.

"Aparentemente, os representantes da AIEA que se encontram no local desta central ficaram, mais uma vez, subitamente cegos e surdos", declarou Zakharova.

Caso iraniano

A porta-voz também voltou a condenar os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra instalações nucleares iranianas sob supervisão da AIEA, classificando as ações como uma "atrocidade" que teria colocado o mundo próximo de "uma tragédia global de consequências irreversíveis".

Ela mencionou a preocupação russa com a situação da Usina Nuclear de Bushehr, no Irã, onde atuam especialistas russos e que, segundo Moscou, estaria em área de risco diante das ameaças de novos ataques.

Duas medidas

No dia 17 de maio, a queda de um drone provocou um incêndio em um gerador localizado fora do perímetro interno da Usina Nuclear de Barakah, nos EAU.

Apesar de não haver vítimas nem alteração nos níveis de radiação, Zakharova destacou que o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reagiu rapidamente ao episódio e reiterou a "inaceitabilidade" de atividades militares que ameacem a segurança nuclear.

Para Moscou, a rapidez da manifestação da AIEA em relação aos Emirados contrasta com o silêncio da agência diante de ataques envolvendo Rússia e Irã.

"Parece que a posição de princípio da Agência em matéria de segurança nuclear e proteção física nuclear também está sujeita a oscilações em função da conjuntura política", reforçou Zakharova.

Na avaliação russa, a agência deveria abandonar o "equilibrismo verbal" e adotar "avaliações claras e passos concretos" para impedir a ampliação das ameaças à segurança nuclear global.