Os governos da China e do México implementaram uma política antidrogas bem-sucedida que conseguiu frear o tráfico de fentanil para os EUA, o que, por sua vez, provocou uma redução no número de mortes de usuários da substância no país, afirmou o jornal Milenio em publicação nesta terça-feira (19).
Segundo a extensa investigação, baseada em cruzamento de dados oficiais e em um estudo da revista Science, a China impôs nos últimos anos restrições legais à venda do opioide sintético e endureceu os controles sobre as empresas químicas que o fabricam e exportam, enquanto o México intensificou as apreensões para impedir que a substância cruzasse a fronteira norte.
Graças a isso, por exemplo, durante o governo da presidente Claudia Sheinbaum, o México apreendeu 1,8 tonelada de fentanil, equivalente a entre 600 mil e 900 mil comprimidos que não chegaram ao mercado de drogas dos EUA.
A epidemia de fentanil nos EUA começou no fim do século passado, mas se agravou há uma década, levando o país a registrar dezenas de milhares de mortes anuais.
Em 2022, foi registrado o número recorde de 82 mil mortes por overdose. No entanto, no ano passado, o número de óbitos associados ao consumo do opioide caiu para 44 mil, uma redução de 50%.
Outro dado que reflete o sucesso da estratégia conjunta é que, em 2023, os EUA apreenderam 12,3 toneladas de fentanil, a maior quantidade de sua história, mas em 2025 o volume caiu para 5,4 toneladas. Segundo especialistas consultados pelo Milenio, o menor número de apreensões reflete uma redução significativa no tráfico da droga.
A escassez de fentanil nas ruas dos EUA, graças às medidas conjuntas adotadas por México e China, também teve outro efeito colateral: a substância disponível costuma ser misturada com outras para distribuição, o que reduz sua pureza e, consequentemente, sua letalidade.