O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu nesta terça-feira (19) ao governo dos EUA que "não ataque" o ex-presidente boliviano Evo Morales, após ele denunciar que a Agência Antidrogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) teria um plano para capturá-lo.
Em sua conta no X, o mandatário colombiano advertiu: "Um ataque a um ex-presidente legítimo e líder indígena como Evo Morales só encherá toda a América Latina de sangue".
Petro também pediu para "não confundir a luta social de camponeses cultivadores de folha de coca com narcotráfico", em referência às acusações de alguns setores da oposição a Morales, que o vinculam a supostos crimes relacionados ao tráfico de cocaína, sem apresentar provas.
Além disso, o líder do Pacto Histórico pediu para "aguardar a conclusão do painel de especialistas da comissão sobre drogas da ONU", que avalia, entre outros aspectos, a diferença entre o cultivo tradicional da folha de coca e o narcotráfico.
Atrito com La Paz
Esse pedido de Petro ocorre um dia depois de ele afirmar que as mobilizações contra o governo de Rodrigo Paz são uma "insurreição popular" que surge em "resposta à soberba geopolítica".
O mandatário colombiano também declarou que "jamais defenderá a repressão contra o povo boliviano", já que a violência "só geraria um imenso massacre, que a América Latina não esquecerá por gerações".
As declarações geraram um atrito diplomático com a administração de Paz, que divulgou um comunicado para reclamar das afirmações de seu homólogo colombiano, por considerar que "não refletem a boa relação entre os dois países" e constituem um desrespeito ao "princípio de não ingerência nos assuntos internos dos Estados".
• O governo de Paz acusa Morales de estar por trás de um suposto "plano macabro" para desestabilizar o país com mobilizações que já duram várias semanas. Segundo o porta-voz do presidente, os protestos estariam sendo financiados pelo narcotráfico.
• Morales é alvo de um mandado de prisão após não comparecer a um processo judicial em que responde pelo suposto crime de tráfico agravado de pessoas. Sua defesa afirma que o caso foi "armado" e ressalta que a suposta vítima já apresentou documentos negando os fatos denunciados.