
Petro alerta que ataque dos EUA a Evo Morales encheria 'toda a América Latina' de sangue

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu nesta terça-feira (19) ao governo dos EUA que "não ataque" o ex-presidente boliviano Evo Morales, após ele denunciar que a Agência Antidrogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) teria um plano para capturá-lo.
Em sua conta no X, o mandatário colombiano advertiu: "Um ataque a um ex-presidente legítimo e líder indígena como Evo Morales só encherá toda a América Latina de sangue".
Petro também pediu para "não confundir a luta social de camponeses cultivadores de folha de coca com narcotráfico", em referência às acusações de alguns setores da oposição a Morales, que o vinculam a supostos crimes relacionados ao tráfico de cocaína, sem apresentar provas.
Le solicito al gobierno de EEUU no atacar al expresidente Evo Morales. No confundir la lucha social de campesinos cultivadores de hoja ese Coca con narcotrafico. Esperar la conclusión del panel de expertos de la comisión sobre drogas de la ONU.Un ataque a un expresidente… https://t.co/VtjpZOsEG6
— Gustavo Petro (@petrogustavo) May 19, 2026
Além disso, o líder do Pacto Histórico pediu para "aguardar a conclusão do painel de especialistas da comissão sobre drogas da ONU", que avalia, entre outros aspectos, a diferença entre o cultivo tradicional da folha de coca e o narcotráfico.
Atrito com La Paz

Esse pedido de Petro ocorre um dia depois de ele afirmar que as mobilizações contra o governo de Rodrigo Paz são uma "insurreição popular" que surge em "resposta à soberba geopolítica".
O mandatário colombiano também declarou que "jamais defenderá a repressão contra o povo boliviano", já que a violência "só geraria um imenso massacre, que a América Latina não esquecerá por gerações".
As declarações geraram um atrito diplomático com a administração de Paz, que divulgou um comunicado para reclamar das afirmações de seu homólogo colombiano, por considerar que "não refletem a boa relação entre os dois países" e constituem um desrespeito ao "princípio de não ingerência nos assuntos internos dos Estados".
• O governo de Paz acusa Morales de estar por trás de um suposto "plano macabro" para desestabilizar o país com mobilizações que já duram várias semanas. Segundo o porta-voz do presidente, os protestos estariam sendo financiados pelo narcotráfico.
• Morales é alvo de um mandado de prisão após não comparecer a um processo judicial em que responde pelo suposto crime de tráfico agravado de pessoas. Sua defesa afirma que o caso foi "armado" e ressalta que a suposta vítima já apresentou documentos negando os fatos denunciados.
