A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na segunda-feira (18) que a deportação para os EUA do ex-diplomata de origem colombiana Alex Saab ocorreu conforme as leis locais e atendeu tanto ao interesse nacional quanto ao fato de o empresário ser procurado pela Justiça norte-americana.
"Alex Saab é um cidadão de origem colombiana, exerceu funções na Venezuela e são questões entre os EUA e Alex Saab. Nós tomamos uma medida administrativa de deportação, justificada pelos interesses nacionais", declarou a mandatária ao ser questionada pela imprensa sobre o caso.
Rodríguez reiterou que "qualquer decisão tomada pelo Governo nacional será guiada pelos interesses da Venezuela" e afirmou que todas as medidas adotadas "desde 3 de janeiro" tiveram esse mesmo objetivo.
"O povo venezuelano deve saber que o interesse principal é a Venezuela. Não pensamos em outra coisa além dos interesses e dos direitos da Venezuela, em proteger nosso país, garantir tranquilidade, paz, o desenvolvimento das nossas crianças e a esperança do nosso povo", acrescentou.
Documentação falsa e investigações
Anteriormente, o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, revelou que Saab, que ocupou altos cargos no governo venezuelano, utilizava uma carteira de identidade falsa emitida em 2004, o que invalidaria sua suposta condição de naturalizado venezuelano, já que ele nunca teria obtido oficialmente essa nacionalidade.
"Alex Saab não é venezuelano, é um cidadão de origem colombiana. Sempre apresentava uma identidade venezuelana que não é legal. Não existe qualquer registro válido dentro do SAIME (Serviço Nacional de Identificação, Migração e Estrangeiros) [...]. Com uma data de emissão supostamente de 2004 [...]. Ele apresentou uma identidade fraudulenta e, com ela, teve acesso a algumas coisas", afirmou Cabello durante coletiva de imprensa.
O ministro disse que foi realizada uma investigação detalhada, que concluiu não existir qualquer processo oficial que comprovasse a validade do documento utilizado pelo ex-ministro da Indústria e Produção Nacional, o que teria justificado a extradição.
Segundo Cabello, a Constituição venezuelana proíbe a extradição de cidadãos venezuelanos — inclusive naturalizados —, mas determina a entrega de estrangeiros solicitados por outros países em casos relacionados a crimes contra o patrimônio público ou violações de direitos humanos.
"Nós o submetemos à lei e ele foi deportado para lá — os EUA — porque foi o último país de onde veio para a Venezuela. Que a Justiça cuide do caso", afirmou.
O dirigente socialista também informou que Saab é investigado pelas autoridades venezuelanas por suposta participação em "uma série de fraudes contra o Estado venezuelano".
Saab, de 54 anos, foi transferido para Miami vindo da Venezuela no último sábado. Paralelamente, o SAIME divulgou uma breve nota mencionando descumprimento de normas migratórias e uma suposta ligação do empresário com crimes cometidos em território norte-americano.
O ex-funcionário já havia sido preso nos EUA anteriormente, mas foi libertado em dezembro de 2023 após uma troca de prisioneiros entre Washington e Caracas. Na ocasião, recebeu perdão concedido pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, e todas as acusações contra ele foram retiradas.