Nova denúncia contra irmão de Adorni agrava crise do chefe de Gabinete de Milei

A Justiça argentina investiga o deputado provincial Francisco Adorni por suposto enriquecimento ilícito. O ex-chefe de gabinete de Milei já enfrenta investigações por lavagem de dinheiro, operações com criptomoedas e movimentações milionárias sem justificativa.

A Justiça argentina abriu uma investigação por suposto enriquecimento ilícito contra Francisco Adorni, irmão do chefe de Gabinete da Argentina, Manuel Adorni, em um novo frente judicial que atinge o entorno familiar do principal porta-voz político do presidente Javier Milei, informou nesta segunda-feira (18) a TN.

A investigação ficou sob responsabilidade do promotor federal Guillermo Marijuan e teve origem em uma denúncia apresentada pela deputada Marcela Pagano.

A apuração mira supostas inconsistências patrimoniais nas declarações juramentadas de Francisco Adorni, atual deputado provincial do La Libertad Avanza (LLA) na província de Buenos Aires e ex-funcionário do Ministério da Defesa.

O advogado do parlamentar, Marcelo Peña, negou a existência de crime e afirmou que se tratou de "uma omissão" no preenchimento de dados patrimoniais que posteriormente foi corrigida.

"Não há nada a esconder, não há crime", declarou o advogado, acrescentando que o patrimônio de seu cliente está "bancarizado, registrado e identificável".

Na semana passada, o juiz federal Sebastián Casanello suspendeu o sigilo fiscal e bancário de Francisco Adorni e ordenou a solicitação de documentos patrimoniais ao Escritório Anticorrupção.

Entre os pontos analisados estão movimentações financeiras, bens e viagens, além de um crédito de 60 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 216 mil) citado na denúncia.

Irmãos Adorni sob investigação da Justiça

O caso ocorre enquanto Manuel Adorni enfrenta sua própria investigação por suposto enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.

A Justiça já suspendeu seu sigilo bancário, financeiro e fiscal e começou a rastrear operações em dinheiro vivo, propriedades, viagens e movimentações com criptomoedas não declaradas.

Segundo a investigação judicial, o chefe de Gabinete teria realizado múltiplas operações em espécie sem respaldo documental, incluindo pagamentos de centenas de milhares de dólares por imóveis, viagens e associações a clubes privados.

Os promotores também solicitaram informações sobre carteiras virtuais e transferências digitais vinculadas ao entorno pessoal e empresarial do funcionário.

Embora a defesa de Francisco Adorni tenha insistido que ambos os casos "não têm nada a ver", a abertura de uma nova investigação contra um integrante direto da família amplia a pressão política e judicial sobre Manuel Adorni, um dos funcionários mais próximos e visíveis do governo Milei.