A Bolívia registrou, na segunda-feira (18), ao menos 23 bloqueios de estradas e marchas rumo à capital, La Paz, de acordo com a Administradora Boliviana de Estradas (ABC). Protestos que pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, aliado do presidente dos EUA Donald Trump, ganharam força por todo o país nas últimas semanas.
De acordo com a imprensa boliviana, os confrontos deixaram vários feridos e desencadearam cenas de intensa violência urbana.
Os manifestantes usaram pedras, fogos de artifício, pedaços de madeira e explosivos improvisados, enquanto a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e operações de dispersão da multidão. As ruas do centro de La Paz ficaram cobertas de barricadas, pneus em chamas e vestígios dos confrontos.
O Ministério do Interior relatou saques e ataques contra instituições públicas. Entre os prédios afetados estavam tribunais e órgãos estaduais localizados no centro de La Paz.
Um veículo policial também foi incendiado próximo às instalações da Força Especial de Combate ao Crime (FELCC), informou o jornal Erbol.
Imagens compartilhadas por moradores mostraram grupos de pessoas saqueando móveis e documentos de prédios públicos após arrombarem portas e janelas.
A polícia recuperou alguns dos itens horas depois, enquanto confrontos continuavam em várias partes do centro da cidade.
Alta nos preços
Os protestos começaram após um decreto que retirou subsídios à gasolina, o que levou à explosão nos preços, com o encarecimento de produtos básicos.
As mobilizações se intensificaram com a aprovação de uma lei agrária rejeitada por movimentos camponeses e indígenas, que acusam o governo de favorecer grandes empresários do agronegócio.
Entre os dias 16 e 17 de março, confrontos entre manifestantes e forças de segurança na cidade de El Alto deixaram 47 presos e ao menos cinco feridos, segundo a Defensoria Pública boliviana. Organizações camponesas denunciam ainda a morte de dois manifestantes.