O mercado de energia mundial enfrenta um cenário de extrema instabilidade que pode atingir um ponto crítico nas próximas semanas, informou o Financial Times no domingo (17).
Após o fechamento do Estreito de Ormuz em abril, que resultou na perda de 14,4 milhões de barris de petróleo por dia provenientes dos países do Golfo, o mundo tem dependido de estoques estratégicos para evitar um colapso imediato.
No entanto, um alerta emitido pela Agência Internacional de Energia (AIE) na última semana aponta que as reservas globais estão sendo consumidas em um ritmo recorde.
Até o momento, o impacto foi mitigado por uma combinação de fatores: (1) a redução no consumo, o (2) aumento das exportações dos EUA e a (3) liberação histórica de 400 milhões de barris de reservas estratégicas pelos países da AIE. Contudo, esse fôlego está chegando ao fim, diz o jornal.
Risco de escassez
Estima-se que o consumo global de petróleo supere a produção em cerca de 6 milhões de barris por dia, e o petróleo que estava em trânsito para suprir a demanda já foi entregue, deixando as refinarias com estoques cada vez menores.
O JP Morgan projeta que os estoques comerciais em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) podem atingir níveis de estresse operacional já no início de junho.
A expectativa de um acordo entre EUA e Irã para reabrir o estreito tem sustentado os preços, mas especialistas veem pouca chance de uma solução rápida.
O risco de escassez é ainda mais agudo para produtos refinados, como diesel e combustível de aviação. Na Europa, os estoques de diesel estão em níveis mínimos, o que pode gerar saltos de preços e afetar setores vitais, como a agricultura e a indústria.