O fechamento do Estreito de Ormuz e o consequente aumento nos preços do petróleo, motivados pela guerra contra o Irã, estão alterando os hábitos de consumo global e impulsionando o mercado de veículos elétricos de duas rodas.
Segundo artigo do Financial Times, no domingo (17), a escalada nos custos dos combustíveis fósseis tem levado consumidores em diversas regiões do mundo a buscar alternativas mais econômicas, como as motocicletas movidas a bateria.
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A Yadea, maior fabricante mundial de patinetes e motocicletas elétricas, registrou um crescimento expressivo em suas operações internacionais. Desde o início do conflito, a companhia, com sede em Wuxi, na China, reportou um aumento de quase 70% nas vendas no Sudeste Asiático e na América do Sul em comparação aos níveis registrados em 2025.
Potencial de crescimento
O vice-presidente da Yadea, Wang Jiazhong, confirmou o aumento da demanda. "A procura está subindo em todos esses lugares. Os clientes estão nos pedindo para antecipar pedidos, o que nos obriga a acelerar os envios", afirmou o executivo.
A alta nos combustíveis também tornou o grupo, que tem capital aberto na bolsa de Hong Kong, mais agressivo em sua expansão para o Reino Unido e para o continente europeu, com foco especial em metrópoles como Londres e Paris.
Para a empresa, a instabilidade no Oriente Médio atua como um catalisador para a migração de consumidores para modelos elétricos, uma vez que o impacto do preço do combustível é sentido de forma imediata no cotidiano.
Com base nisso, a Yadea elevou suas metas de vendas externas: a expectativa é entregar 450 mil unidades fora da China este ano, contra as 310 mil comercializadas em 2025. O plano de expansão para 2026 prevê a abertura de até 10 mil novos pontos de venda internacionais, um salto significativo frente aos 3.700 atuais.
O potencial de crescimento do setor é corroborado por dados do Conselho Internacional de Transporte Limpo, que aponta os veículos a bateria como detentores de cerca de 15% do mercado global de duas rodas.
Embora as vendas internacionais tenham representado apenas 2% do faturamento da Yadea no ano passado, a companhia sinalizou aos investidores que projeta a rentabilidade fora da China superando a do mercado doméstico no longo prazo.