Assessores de Trump alertam sobre possível escalada chinesa em relação a Taiwan — Axios

"Não há como estarmos preparados", disse uma das fontes.

Integrantes próximos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, temem que, após a recente cúpula na China, Pequim possa avançar em direção a uma tentativa de tomada de Taiwan nos próximos cinco anos. O cenário, segundo essas avaliações, poderia afetar diretamente o fornecimento global de semicondutores e gerar impactos profundos nas empresas americanas, informou o Axios, neste domingo (17).

De acordo com interlocutores ouvidos pelo veículo, Trump teria ficado impressionado com o nível de sofisticação diplomática e o tratamento reservado ao presidente chinês Xi Jinping durante sua visita ao país asiático. Um dos assessores afirmou que Xi estaria buscando reposicionar a China no cenário global.

"Ele está tentando levar a China a uma nova posição em que diz: 'não somos uma potência emergente, somos iguais a vocês e Taiwan é nosso'", disse uma das fontes.

Outro assessor fez um alerta direto sobre a vulnerabilidade da cadeia produtiva de chips, considerada estratégica para a economia dos EUA e para empresas de tecnologia.

"Não há como estarmos preparados economicamente, a cadeia de suprimentos de chips não estará nem perto da autossuficiência. Para os CEOs e, na verdade, para a economia como um todo, não há problema mais urgente do que a cadeia de suprimentos de chips", afirmou.

Posição de Trump

Donald Trump declarou recentemente que gostaria de ver Taiwan "como está atualmente", evitando mudanças no status da ilha. Ele também descreveu o fornecimento de armas a Taiwan como uma "boa ficha de negociação" diante de Pequim.

"Não estou buscando que eles se tornem independentes e ter que viajar 9.500 milhas para lutar uma guerra. Não é isso que eu quero. Quero que tudo se acalme, quero que a China se acalme [...] Não estamos buscando guerras", disse Trump.

O presidente ainda afirmou que uma manutenção do status atual poderia reduzir tensões. “Se você mantiver como está, acho que a China ficaria satisfeita. Não queremos que alguém diga: ‘vamos ser independentes porque os EUA nos apoiam’”, declarou.

A "linha vermelha" de Pequim

Por outro lado, o governo chinês mantém posição firme sobre o tema. Pequim considera a questão de Taiwan uma "linha vermelha" nas relações com os Estados Unidos.

"Taiwan é parte inalienável do território chinês. A questão de Taiwan está no núcleo dos interesses fundamentais da China e é a primeira linha vermelha que não deve ser cruzada nas relações China-EUA", afirmou o Ministério das Relações Exteriores chinês.