'Trump tem responsabilidade': Lula critica pressão dos EUA sobre Irã – Washingon Post

Presidente brasileiro afirmou que abordagem dos Estados Unidos em relação ao Irã tem impacto sobre a economia global e os consumidores norte-americanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post publicada neste domingo (17), que apresentou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma cópia do acordo nuclear firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, durante reunião realizada neste mês na Casa Branca.

Segundo Lula, o objetivo foi demonstrar a Trump que "não é verdade que o Irã está novamente tentando construir uma bomba atômica".

O presidente brasileiro afirmou que os dois conversaram sobre o tema, mas sem discutir medidas concretas posteriores. Lula também disse ter oferecido ajuda para facilitar negociações diplomáticas.

Na entrevista, Lula criticou a política de pressão adotada por Washington contra Teerã e afirmou que o atual conflito envolvendo o Irã expõe limitações da estratégia dos Estados Unidos.

"Trump tem responsabilidade por isso", declarou, ao comentar os impactos econômicos internacionais provocados pelas tensões envolvendo o Irã e o aumento de preços para consumidores norte-americanos.

Lula voltou a defender soluções negociadas para crises internacionais e afirmou acreditar que o diálogo continua sendo possível.

"Espero que Trump possa ser convencido de que os Estados Unidos podem desempenhar um papel muito mais importante fortalecendo a paz, a democracia e o multilateralismo", disse.

O presidente brasileiro também relembrou o acordo nuclear negociado em 2010 por Brasil e Turquia com o governo iraniano. O entendimento previa mecanismos de controle sobre o programa nuclear do Irã, mas acabou rejeitado pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Segundo Lula, o episódio reforça sua visão de que disputas internacionais devem ser resolvidas por meio de negociação direta entre os governos envolvidos.

"Se eu não acreditasse em persuasão, não estaria na política", afirmou.