Grandes companhias de navegação como Maersk, MSC, CMA-CGM e Hapag-Lloyd abriram rotas terrestres com caminhões para tentar contornar o colapso no tráfego marítimo causado pela guerra no Irã, segundo informou o Financial Times, no domingo (17).
As cargas seguem de portos no Mar Vermelho e no Golfo de Omã — como Yanbu e King Abdullah (Arábia Saudita) e Fujairah (Emirados Árabes) — para terminais como Dammam, Basra (Iraque) e Jebel Ali, o maior hub da região.
A medida foi necessária porque o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, está virtualmente fechado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. O número de travessias diárias caiu de cerca de 135 para apenas algumas embarcações, com 38 navios atacados.
O problema é que os caminhões têm capacidade muito inferior à dos navios porta-contêineres. Segundo o CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, o fluxo de comércio para o Golfo encolheu entre 60% e 80%. Como reflexo da crise logística, os fretes dispararam: na semana até 15 de maio, o custo para enviar um contêiner de 20 pés de Xangai para a região saltou de US$ 980 para US$ 4.131, superando o pico da pandemia.
A situação gerou congestionamentos severos em portos e atrasos de até 60 dias em embarques de alimentos, como os da gigante indiana Tata Consumer Products.