Este setor na China cresce a ritmo 'explosivo': o que se sabe?

Em 2025, o número de empresas registradas neste setor aumentou 78,74%, um dinamismo que se manteve este ano com mais 488 empresas.

O setor de reciclagem de ouro da China está passando por sua maior expansão em uma década, impulsionado pelo entusiasmo contínuo do mercado de lingotes e pela forte demanda por investimentos, fatores que atraíram inúmeros novos participantes ao mercado, informa o South China Morning Post.

O número de empresas registradas neste setor, que se dedica à compra e revenda de lingotes e joias de ouro, aumentou em 2025 em 78,74% em relação ao ano anterior, atingindo 740, segundo um relatório divulgado esta semana pela Qichacha, empresa chinesa de análise de dados corporativos. Esse crescimento representa a maior expansão anual em 10 anos, razão pela qual os analistas o classificam como "explosivo".

O dinamismo se manteve em 2026. Em menos de cinco meses, foram registradas outras 488 empresas relacionadas à reciclagem de ouro, ultrapassando já a metade do total do ano anterior.

O que está por trás desse boom?

Esse boom ocorre em meio a um aumento sem precedentes nos preços do ouro desde o ano passado, impulsionado pelas crescentes tensões geopolíticas e por uma tendência geral de desdolarização. O preço do ouro à vista atingiu brevemente um recorde histórico de quase 5.600 dólares por onça no final de janeiro, antes de recuar devido à recente volatilidade.

Mais da metade das empresas chinesas atuantes no setor de reciclagem de ouro foram criadas nos últimos três anos, e as empresas com menos de um ano de existência representam a maior parte, quase 30%, segundo o relatório. Por regiões, essas empresas concentram-se principalmente no sul e no leste do gigante asiático. O sul representa a maior parte, com 35,39%, seguido pelo leste, com 29,43%, o que os especialistas atribuem a "mercados locais de consumo de ouro dinâmicos e redes de comércio e distribuição bem desenvolvidas".

Um recorde histórico no consumo de ouro

Ao mesmo tempo, a demanda total por ouro na China – incluindo joias, lingotes, ETFs e uso industrial – atingiu 362 toneladas no primeiro trimestre, 24% a mais do que em 2025, marcando um recorde para o mesmo período. Assim, o consumo total do metal precioso atingiu 394,9 bilhões de yuans (US$ 57,2 bilhões), aponta um relatório recente do Conselho Mundial do Ouro citado pelo Global Times.

O crescimento explosivo do investimento em ouro compensou amplamente a queda no consumo de joias. No primeiro trimestre, a demanda por joias de ouro no país asiático caiu 32% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 85 toneladas, embora tenha aumentado 4% em relação ao trimestre anterior, prejudicada pela volatilidade dos preços e pela baixa confiança.

Embora a demanda por joias de ouro tenha diminuído, o consumo total de ouro atingiu um recorde histórico, impulsionado por um aumento na demanda por investimentos, indicou Zhou Yinghao, analista sênior de investimentos em ouro. "O mercado considera cada vez mais o ouro não apenas como um bem de luxo, mas como uma moeda forte diante da incerteza", afirmou, acrescentando que seu papel como ativo de refúgio é reforçado por uma maior aversão ao risco e pela necessidade de preservar o patrimônio em meio à volatilidade dos preços e às tensões geopolíticas.