País asiático está desenvolvendo megaprojeto mais caro de sua história: o que se sabe?

Trata-se de uma ferrovia de alta velocidade avaliada em US$ 67 bilhões que ligará as duas principais cidades do país em uma fração do tempo de viagem atual.

O Vietnã está desenvolvendo um megaprojeto de ferrovia de alta velocidade que atravessará todo o país asiático, avaliado em aproximadamente US$ 67 bilhões.

Denominado "Norte-Sul", o projeto não é apenas uma obra de transporte em grande escala, mas também um símbolo da orientação do Vietnã para um desenvolvimento moderno, ecológico e sustentável, bem como de sua integração internacional, declarou nesta sexta-feira (15) o vice-ministro da Construção, Bui Xuan Dung, durante um evento informativo para apresentar o pacote de consultoria para a elaboração de um estudo de viabilidade.

O que se sabe sobre o projeto?

Trata-se de uma ferrovia de alta velocidade para o transporte de passageiros, que atenderá aos requisitos de dupla finalidade para a defesa e a segurança nacional e que poderá transportar mercadorias quando necessário.

A linha ferroviária terá um comprimento total de aproximadamente 1.541 quilômetros e ligará a capital, Hanói, à cidade de Ho Chi Minh, atravessando 15 províncias e municípios. Está prevista a construção de 23 estações de passageiros e cinco estações de carga.

O projeto prevê a construção de uma nova linha ferroviária de via dupla com bitola de 1.435 milímetros, velocidade máxima de 350 quilômetros por hora e capacidade de carga de 22,5 toneladas por eixo para veículos e equipamentos.

Conforme previsto, as etapas de elaboração, avaliação e aprovação do estudo de viabilidade, bem como o início das obras do projeto, ocorrerão entre os anos de 2026 e 2028. A conclusão básica do projeto está prevista para 2035.

A urgência do megaprojeto dispendioso

Por sua vez, os especialistas estimam que o Vietnã esteja investindo 17% de seu PIB total nesse megaprojeto, o que o torna o mais caro da história do país asiático. Enquanto isso, a economia vietnamita é atualmente uma das que mais crescem na região, com o país mergulhado em uma era de construção em grande escala que resulta em novos aeroportos, rodovias e estádios, entre outras instalações.

"A questão crucial não é se eles podem arcar com os custos, mas se não podem se dar ao luxo de não fazê-lo", explicou Scott McDonald, professor de logística e gestão da cadeia de suprimentos na filial vietnamita da universidade australiana Royal Melbourne Institute of Technology, ao site The B1M. "A falta de um bom sistema ferroviário está travando o crescimento econômico do país", afirma.

O especialista indica que, atualmente, o Vietnã utiliza vias com um metro de largura, que foram originalmente construídas durante a ocupação francesa no final do século XIX. "Na maioria dos países, o sistema ferroviário é a espinha dorsal do transporte; neste país, talvez apenas 6% da carga seja transportada por ferrovia porque é muito lento. Leva mais de 30 horas, às vezes 35, só para ir de Cidade de Ho Chi Minh a Hanói", explica.

Desafios a enfrentar

No entanto, construir uma linha ferroviária de alta velocidade não é tão simples assim: para maximizar sua eficiência, o trajeto deve ser o mais reto possível. O Vietnã possui apenas cerca de 20% de terreno plano; o restante é composto por montanhas, vales e rios, observa McDonald, acrescentando que, entre Cidade de Ho Chi Minh e Hanói, o trem precisa atravessar mais de 2.000 rios.

"Além disso, no que diz respeito ao risco de inundações, o Vietnã é muito vulnerável, sobretudo nos últimos tempos, devido às mudanças climáticas e outros fatores, a tufões, deslizamentos de terra e chuvas intensas", afirma ele, indicando que esses desastres naturais costumam destruir pontes e estruturas semelhantes.

Outro desafio, segundo o especialista, é a eletrificação, já que o sistema atual funciona inteiramente com locomotivas a diesel. "Portanto, não há eletrificação em nenhum ponto do trajeto. Assim, será preciso construí-la do zero, o que também implica custos mais elevados", conclui.