BRICS quer fortalecer seu banco e reduzir dependência de mecanismos ocidentais

Em nota conjunta, chanceleres do grupo defenderam reforma do FMI e Banco Mundial, ampliação do Novo Banco de Desenvolvimento e integração de sistemas financeiros próprios. Com isso, esperam ampliar protagonismo do Sul Global.

Os ministros das Relações Exteriores dos países-membros do BRICS defenderam a reforma urgente das Instituições de Bretton Woods, incluindo o FMI e o Banco Mundial, durante reunião realizada na quinta-feira (14) e nesta sexta-feira (15), em Nova Delhi. Na declaração conjunta, o grupo pediu maior representação das economias emergentes e em desenvolvimento nas estruturas de governança financeira global.

"Os ministros reiteraram a necessidade urgente de reformar as Instituições de Bretton Woods para torná-las mais ágeis, eficazes, inclusivas, imparciais, responsáveis e representativas", afirma o documento. O texto também defende um "realinhamento significativo" das quotas do FMI e maior peso político e acionário dos países em desenvolvimento no Banco Mundial.

Banco do BRICS como "crucial"

Diante dos desafios, as nações destacaram o papel crescente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), mais conhecido como Banco do BRICS, como instrumento estratégico para impulsionar a modernização e o desenvolvimento do Sul Global.

"O NDB é uma instituição crucial do BRICS para promover o desenvolvimento sustentável, reduzir desigualdades e apoiar a resiliência das economias emergentes", afirma o documento, destacando a importância do uso de moedas locais nos projetos financiados pela instituição.

Os chanceleres também defenderam a expansão do banco, a diversificação das fontes de financiamento e o fortalecimento de sua governança, além de agradecerem à Rússia pela realização da 11ª reunião anual do NDB, que aconteceu em Moscou na quinta-feira (14) e nesta sexta-feira (15).

Outro mecanismo destacado foi o Arranjo Contingente de Reservas (CRA), cujo fortalecimento foi defendido pelos ministros do BRICS. Na declaração conjunta, o grupo incentivou maior participação dos novos membros nas operações do mecanismo, criado para ampliar a cooperação financeira e reforçar a estabilidade econômica entre os países do bloco.

Menos Ocidente, mais integração

Defende-se ainda o aprofundamento da integração financeira entre os países do BRICS por meio da ampliação de sistemas de pagamentos transfronteiriços, reduzindo a dependência de plataformas do Ocidente.

Na nota, os ministros das Relações Exteriores reconheceram a necessidade de tornar as transações internacionais "mais rápidas, acessíveis, eficientes, transparentes e seguras", de forma a impulsionar o comércio e os fluxos de investimento entre os membros e outros países parceiros.