PF apura uso de telefones de falecidos por agentes em esquema ligado à Refit

A Polícia Federal investiga o uso de telefones registrados em nome de pessoas falecidas por agentes da própria corporação em contatos com investigados ligados à Refinaria de Manguinhos, conhecida como Refit.
Segundo reportagem publicada pelo portal g1 nesta sexta-feira (15), as suspeitas surgiram no contexto da Operação Sem Refino, deflagrada pela PF para apurar a atuação de um conglomerado do setor de combustíveis investigado por ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
Segundo a reportagem, dois escrivães aparecem vinculados à utilização recorrente das linhas telefônicas, incluindo um policial lotado na Delegacia da Polícia Federal em Nova Iguaçu.
Os investigadores suspeitam que os aparelhos registrados em nome de mortos eram usados para dificultar o rastreamento das comunicações mantidas com integrantes do esquema investigado.
A reportagem também afirma que um dos acessos identificados na investigação ocorreu por meio de um endereço de IP ligado à rede interna da própria Polícia Federal. Os registros teriam sido associados ao login funcional de um escrivão.
Outro escrivão aparece relacionado ao mesmo núcleo de contatos analisado pelos investigadores.
A Operação Sem Refino cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.
A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações apuram possíveis fraudes fiscais e inconsistências relacionadas à operação de uma refinaria vinculada ao grupo investigado.
Segundo o g1, um policial civil do Rio de Janeiro também é investigado por suspeita de repassar informações privilegiadas a envolvidos no caso. Conforme a reportagem, R$ 500 mil foram apreendidos na residência do agente durante a operação.
O portal informou ainda que o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, está entre os alvos da investigação e que a PF solicitou a inclusão do nome dele na lista de Difusão Vermelha da Interpol. A operação contou com apoio técnico da Receita Federal.
