Relatório aponta que maioria morta no Caribe em bombardeios dos EUA não era envolvida com tráfico

Segundo a investigação, a estratégia de uso de força letal no combate ao tráfico de drogas foi ineficaz e desproporcional.

Uma investigação internacional apontou que a maioria das vítimas dos ataques com mísseis realizados pelos Estados Unidos no Caribe, entre setembro de 2025 e maio de 2026, era formada por civis sem ligação direta com o narcotráfico.

O relatório, produzido por dezenas de jornalistas latino-americanos, afirma que a ofensiva do governo Donald Trump, chamada "Operação Southern Spear", matou ao menos 179 pessoas em 58 ataques contra embarcações. Muitas das vítimas eram pescadores e trabalhadores informais.

Segundo a investigação, a estratégia de uso de força letal no combate ao tráfico de drogas foi ineficaz e desproporcional. Enquanto Washington alegava combater "narcoterroristas", o levantamento identificou vítimas de perfil humilde, como Eduardo Jaime, jogador de futebol local morto em um bombardeio na Venezuela, em outubro de 2025.

Outras vítimas, incluindo cidadãos de Trinidad e Tobago, tentavam voltar para casa após trabalhos informais.

Efetividade da operação

A investigação destaca que operações convencionais de interceptação, conduzidas em parceria com países latino-americanos, tiveram resultados mais eficazes.

No mesmo período, ações de cooperação internacional apreenderam 140 toneladas de cocaína e prenderam 160 suspeitos sem registro de mortes.

Em contrapartida, os bombardeios dos EUA destruíram evidências e não reduziram significativamente o fluxo de drogas, que migrou para rotas alternativas, como a região amazônica.

A operação também afetou comunidades costeiras da Colômbia e da Venezuela, que passaram a enfrentar crise econômica e medo de navegar. Além disso, voos comerciais registraram falhas de GPS durante os ataques.

A política do governo Trump ainda provocou isolamento diplomático. Reino Unido, Canadá e França suspenderam o compartilhamento de inteligência com Washington para evitar que as informações fossem usadas em execuções extrajudiciais.