Lavrov reafirma solidariedade dos BRICS com 'amigos cubanos'

O chanceler russo deu a declaração em conferência de imprensa à margem da reunião dos ministros das Relações Exteriores do BRICS em Nova Delhi.

Os países do BRICS manifestaram sua solidariedade a Cuba em meio à pressão econômica e política exercida pelos EUA contra a nação caribenha, declarou nesta sexta-feira (15) o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em uma coletiva de imprensa à margem da reunião de ministros das Relações Exteriores da organização, realizada de 14 a 15 de maio em Nova Delhi (Índia).

"Conversamos sobre o caráter inaceitável da prática, infelizmente persistente, de medidas coercitivas unilaterais destinadas a punir governos soberanos e interferir em seus assuntos internos. Nesse sentido, reafirmamos nossa solidariedade com nossos amigos cubanos", afirmou aos jornalistas.

Lavrov também lembrou que Havana é um dos parceiros do grupo BRICS, categoria criada durante a cúpula de Kazan, na Rússia, em 2024, e que atualmente conta com mais de uma dúzia de nações.

Ameaça dos EUA a Cuba

Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.

A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".

Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.