A rápida transformação dos centros de dados no Golfo Pérsico, de pilares da diversificação econômica para alvos estratégicos de ataques militares, tornou-se um dos aspectos mais críticos do recente conflito com o Irã, como publicou o site Responsible Statecraft no dia 13 de maio.
O que antes era visto como o "futuro tecnológico" da região, sustentado por bilhões de dólares em investimentos estrangeiros, revelou-se uma vulnerabilidade geopolítica após o uso de infraestruturas civis para operações de inteligência durante a "Operação Fúria Épica".
A estratégia dos EUA
O movimento de transição tecnológica na região começou com promessas de investimento superiores a US$ 2 trilhões, lideradas por uma estratégia de diplomacia informática dos Estados Unidos.
Acordos, como o da Microsoft nos Emirados Árabes (US$ 15,2 bilhões) e da Amazon na Arábia Saudita (US$ 5,3 bilhões), visavam reduzir a dependência do petróleo.
No entanto, a condição para o acesso a chips de ponta exigiu-se de empresas locais, como a G42, que abandonassem a tecnologia chinesa, alinhando-se tecnologicamente a Washington.
Essa integração profunda criou um dilema de soberania. Relatórios indicam que a inteligência artificial Claude, da Anthropic, operando sobre a infraestrutura da Amazon Web Services (AWS), foi utilizada para a seleção de alvos militares.
Ao fundir tecnologia comercial com doutrina de guerra, os EUA transformaram nuvens que gerem serviços civis e bancários em ativos de inteligência.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã passou a considerar centros de dados como alvos legítimos, atacando instalações da AWS e outros 29 pontos tecnológicos na região.
Infraestrutura civil sob risco
As consequências para a população local foram imediatas: a paralisia de serviços essenciais, como sistemas bancários e aplicativos de transporte, evidenciou o risco de uma infraestrutura compartilhada entre civis e militares.
A exclusão da tecnologia chinesa eliminou a opção de diversificação dos países do Golfo, aumentando sua dependência e vulnerabilidade frente aos interesses de segurança de Washington.
O cenário econômico agora é de extrema cautela. Embora grandes fluxos de capital persistam, como o investimento da Brookfield no Catar, outros operadores, como a Pure DC em Abu Dhabi, congelaram projetos.
Investimentos sob pressão
O aumento nos prêmios de seguro e a necessidade de segurança física reforçada tornaram o desenvolvimento de hubs digitais mais lento e oneroso. Com ameaças iranianas de novos ataques a complexos como o Stargate, o futuro da digitalização do Golfo permanece sob incerteza, colocando em xeque os planos de consolidar a região como o principal centro tecnológico do Oriente Médio.
Nessa linha, o analista Sergey Poletaev comentou à RT que os ataques afetarão a situação de pós-conflito das economias dos países do golfo Pérsico, especialmente seus esforços para se digitalizar com fundos do petróleo. Por esse motivo, o especialista destacou que os ambiciosos planos dos Emirados Árabes Unidos para se consolidar como o principal núcleo digital da região estão agora sob ameaça.