País latino-americano afirma estar em 'guerra'

O presidente apoia a iniciativa "Escudo das Américas", que, segundo ele, busca "proteger" as nações da região.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou, durante um debate no Atlantic Council, em Washington, D.C., na quinta-feira (14) que o país enfrenta uma "guerra" contra o narcotráfico e defendeu a aliança com os EUA para combatê-lo, segundo a imprensa local.

"Não é uma guerra contra gangues. É uma guerra contra o narcoterrorismo, contra a mineração ilegal, o tráfico humano e o tráfico de órgãos", declarou o presidente.

Segundo Noboa, grupos criminosos como Los Lobos e Los Choneros possuem cerca de 80 mil membros somados, número que supera o contingente das forças de segurança do país, composto por 36 mil militares e 57 mil policiais. Noboa explicou que a disparidade levou à mudança na estratégia de segurança nacional.

O presidente equatoriano, que desde janeiro de 2024 declarou um "conflito armado interno" no país, ressaltou que a situação não pode ser tratada como um problema doméstico, mas como um fenômeno transnacional. "O problema não é apenas do Equador; 40% das drogas acabam nos EUA; e outros 40%, na Europa. É um problema continental", enfatizou.

Relações com EUA

O presidente equatoriano defendeu a aliança consolidada com os Estados Unidos nos últimos anos, especialmente em cooperação de inteligência e combate ao tráfico. Noboa também manifestou apoio à iniciativa "Escudo das Américas", lançada pelo presidente Donald Trump para enfrentar o crime organizado transnacional e a migração irregular. "O Escudo das Américas quer proteger nossas nações, e os EUA querem o mesmo para seu território: proteger-se de atividades ilegais", afirmou.

Por outro outro lado, enquanto Noboa defende a cooperação com Washington, membros do Congresso dos EUA enviaram uma carta ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, exigindo explicações sobre as operações contra o narcotráfico realizadas no Equador e pedindo sua suspensão imediata.

"Escrevemos para solicitar a suspensão imediata de tais operações até que esses fatos sejam investigados de maneira exaustiva", diz o documento, assinado pelos congressistas Jesús 'Chuy' García (Illinois), Greg Casar (Texas) e Sara Jacobs (Califórnia), além de outros 17 membros da Câmara dos Representantes, que expressam preocupação com possíveis violações de direitos humanos no país sul-americano.