As autoridades israelenses anunciaram que processarão o The New York Times por um artigo de opinião publicado na segunda-feira (11), que denuncia violência sexual sistemática contra prisioneiros palestinos.
O material, assinado pelo colunista Nicholas Kristof, expõe casos de "violência sexual generalizada contra homens, mulheres e até crianças, perpetrada por soldados, colonos, interrogadores do Shin Bet, o serviço de segurança interna, e, sobretudo, por guardas prisionais".
Segundo a coluna, algumas vítimas foram agredidas nos órgãos genitais, violentadas com diversos objetos e chegaram a necessitar de longas hospitalizações e cirurgias após os abusos.
A publicação também afirma que um jornalista da Faixa de Gaza, detido em 2024, foi algemado por guardas e violentado por um cão treinado. "O jornalista afirmou que, ao ser libertado, um funcionário israelense o advertiu: 'Se quiser continuar vivo ao retornar, não fale com a imprensa'", acrescentou Kristof.
"Uma das mentiras mais atrozes"
Em resposta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, afirmaram que se trata de "uma das mentiras mais atrozes e distorcidas já publicadas contra o Estado de Israel na imprensa moderna, além de ter contado com o respaldo do próprio jornal".
O comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu acrescenta que o premiê e Sa'ar "ordenaram o início de um processo por difamação contra o The New York Times". Em uma publicação separada, Netanyahu afirmou que serão tomadas "as ações legais mais severas contra o The New York Times e Nicholas Kristof".
"Eles difamaram os soldados de Israel e perpetuaram uma calúnia sobre estupro, tentando criar uma falsa simetria entre os terroristas genocidas do Hamas e os valentes soldados de Israel", escreveu no X, assegurando que "Israel não ficará em silêncio" e "combaterá essas mentiras na opinião pública e nos tribunais".
O que diz o jornal?
Por sua vez, o porta-voz do jornal, Charlie Stadtlander, declarou que especialistas independentes foram consultados para verificar os fatos apresentados no artigo. Segundo ele, a coluna se baseou em "reportagens, investigações independentes de grupos de direitos humanos, pesquisas e, em um caso, depoimentos da ONU".
Além disso, destacou que Kristof é "um jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer em duas ocasiões que cobre violência sexual há décadas". "Ele viajou à região para relatar em primeira mão as histórias de palestinos que sofreram abusos, e seu artigo reúne relatos contados pelas próprias vítimas, respaldados por estudos independentes", afirmou.