A Arábia Saudita propôs a possibilidade de firmar um pacto de não agressão entre os países do Oriente Médio e o Irã após o fim da guerra que envolve Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, informou nesta quinta-feira (14) o Financial Times, citando diplomatas familiarizados com a situação.
Segundo as fontes, Riad avalia como possível modelo o processo de Helsinque da década de 1970, que, em plena Guerra Fria, conseguiu aliviar tensões. O veículo lembra que os acordos de Helsinque, assinados em 1975 por Estados Unidos, países europeus e União Soviética, abordaram questões de segurança e estimularam a cooperação econômica entre potências rivais.
No entanto, o veículo adverte que a ideia de transferir esse modelo para o Oriente Médio já havia sido discutida anteriormente, mas os meses de guerra criaram uma nova urgência entre os Estados árabes e muçulmanos devido à previsível redução da presença militar americana na região após o fim do conflito.
O pacto mencionado é apenas uma das várias opções consideradas para administrar a complexa situação regional no período pós-guerra.
As fontes consultadas afirmaram que a iniciativa saudita recebeu apoio de várias capitais europeias e de instituições da União Europeia, que incentivaram outros países do Golfo a apoiá-la, por considerá-la a melhor forma de evitar futuros conflitos e, ao mesmo tempo, oferecer a Teerã garantias sólidas de que não voltará a ser atacado.
Um diplomata árabe citado pelo Financial Times afirmou que o pacto de não agressão seria bem recebido tanto pela maioria dos Estados árabes e muçulmanos quanto por Teerã, que há muito tempo busca transmitir a Washington e a outras potências ocidentais que a região deve cuidar de seus próprios assuntos.
"Tudo depende de quem estará incluído. No clima atual, não será possível incluir Irã e Israel. Sem Israel, isso pode ser contraproducente porque, depois do Irã, eles são vistos como a maior fonte de conflito", declarou a fonte. "Mas o Irã não vai desaparecer, e é por isso que os sauditas estão impulsionando isso", acrescentou.
O jornal também destaca as divisões entre os Estados árabes, especialmente entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Durante a guerra, os Emirados foram o país mais beligerante em relação ao Irã e criticaram abertamente as instituições árabes por não responderem com mais firmeza.
Além disso, deixaram claro que, após o fim do conflito, pretendem reforçar seus laços com Israel. Por isso, as fontes citadas questionam se Abu Dhabi aderirá a qualquer acordo.