Presidente do México faz dura crítica aos EUA

A presidente do México se referiu às informações tendenciosas divulgadas pela mídia sobre a forma de conduzir os assuntos internos.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, revelou nesta quinta-feira (14) que os EUA não aprovaram quase 40 pedidos de extradição feitos pelas autoridades mexicanas, alegando suposta falta de provas.

Durante sua coletiva de imprensa matinal, a mandatária lembrou que "há 38 casos em que os EUA negaram o pedido do Governo do México para deter com urgência uma pessoa com fins de extradição por falta de provas".

Sheinbaum informou que solicitou ao secretário de Relações Exteriores, Roberto Velasco, e à assessora jurídica, Luisa María Alcalde, que conversem sobre "todos os casos que ocorreram nos últimos anos".

As declarações foram feitas no contexto da ordem do Departamento de Justiça dos EUA, que solicitou a captura e extradição de 10 funcionários e ex-funcionários mexicanos, entre eles o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, por supostos vínculos com o narcotráfico.

"Onde estão as provas?"

Sheinbaum criticou a forma como a mídia tratou as informações e afirmou que foi criada a percepção de que, diante do pedido americano, existem apenas três opções.

"Há uma ideia de que a presidente só tem três opções: deter ou extraditar com caráter de urgência 10 cidadãos mexicanos que um escritório do Departamento de Justiça, no sul de Nova York, pediu que fossem presos; encarcerá-los no México ou não fazer nada".

Nesse sentido, ela destacou que analistas e opositores ignoraram a opção "mais importante", que é exigir provas suficientes para acusar as pessoas apontadas por cometer crimes, conforme a Constituição e o sistema penal acusatório mexicano. "Se não há provas, não se procede. O que é isso? A lei", acrescentou.

"O que estamos pedindo? 'Ei, vocês têm provas contra o governador licenciado? Apresentem-nas para que a Promotoria possa conduzir sua investigação'. Não é uma decisão política, como quiseram fazer parecer (...) É a decisão responsável da presidente do México de, antes de tudo, defender a soberania nacional", afirmou.

Por outro lado, a presidente reiterou que a visão de longo prazo do Estado, que deve ser seguida pelo Governo, pela Procuradoria-Geral da República e pelo Judiciário, é cumprir a lei, a Constituição e defender a soberania.