Irã defende união do BRICS diante das agressões de EUA e Israel

Para chanceler persa, países do grupo possuem o poder de fazer frente aos velhos modelos do Ocidente. "Cooperação é o único caminho para a salvação", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã está em Nova Délhi para a reunião de chanceleres do BRICS. Ao lado de diplomatas como Mauro Vieira, do Brasil, e Sergey Lavrov, da Rússia, Seyed Abbas Araghchi cobrou, em discurso nesta quinta-feira (14), união e "respeito à soberania e às diferenças".

Durante seu discurso, intitulado "Lançando as Bases para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade", Araghchi afirmou que o mundo vive uma "encruzilhada histórica".

Isso porque os mecanismos de diplomacia e de estabilidade internacional estão "desgastados e ineficazes". A quebra do direito internacional em sanções econômicas e ações militares unilaterais pedem, segundo o chanceler, a construção de uma nova ordem.

O ministro persa citou a agressão contra seu país — iniciada em fevereiro por Estados Unidos e Israel — como um exemplo da necessidade de novos modelos de governança global.

"As guerras de agressão dos Estados Unidos e do regime sionista contra o Irã, o Líbano e Gaza provocaram danos irreparáveis a infraestruturas vitais", declarou.

Cooperação contra agressão

Araghchi defendeu que os países do BRICS avancem na união. Para isso, a diplomacia iraniana pediu ações práticas, como a criação de mecanismos próprios de desenvolvimento tecnológico, financeiro e produtivo, reduzindo a dependência das "potências tradicionais".

Para o lado iraniano, reside no BRICS a potência de fazer frente aos velhos modelos do Ocidente. "Países membros do BRICS devem assegurar suas cadeias de suprimentos, diversificar seus sistemas monetários e construir estruturas de defesa econômica robustas", defendeu.

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Força do Sul Global

Araghchi disse que a "resiliência" na contemporaneidade deixa de ser escolha política para se tornar uma "necessidade absoluta". O ministro citou o contexto internacional marcado por guerras, crises energéticas e disputas tecnológicas.

"Em uma Era de crescente unilateralismo e fragmentação, a cooperação é o único caminho para a salvação", disse Araghchi. Segundo ele, o grupo deve construir uma conexão "sustentável" entre as capacidades econômicas e tecnológicas de seus membros, respeitando "a soberania nacional e as diferenças culturais".