A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, se pronunciou nesta sexta-feira (15) durante o 11º Encontro Anual do Conselho de Governadores da instituição, realizado entre os dias 13 e 15 de maio em Moscou.
A agenda reúne representantes governamentais, executivos do setor financeiro e especialistas internacionais para discutir inovação, infraestrutura e estratégias de financiamento ao desenvolvimento.
Dilma classificou a guerra no Oriente Médio como "de invasão" e alertou para impacto que pode acarretar no sistema internacional.
Segundo a presidente do banco dos BRICS, os efeitos da guerra ultrapassam os limites da região e já provocam consequências geopolíticas e econômicas em diferentes partes do mundo.
Durante o discurso, Dilma afirmou que o cenário internacional atravessa um período de forte instabilidade, com reflexos sobre comércio, segurança energética e relações entre países.
"Entre os riscos que já afetam os mercados globais, é preciso dar atenção especial à capacidade disruptiva das sanções unilaterais, que têm agravado a escassez de petróleo, gás e fertilizantes, em meio aos bloqueios no Oriente Médio", afirmou ela.
Segundo Dilma, esse tipo de medida provoca impactos que ultrapassam os países diretamente atingidos, afetando cadeias comerciais, abastecimento e custos econômicos em diferentes regiões do mundo, especialmente na Europa.
Antes da abertura oficial do encontro, Dilma se reuniu na quarta-feira (13), no Kremlin, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para tratar das atividades do banco e da cooperação econômica entre os países-membros da organização.
Também participaram da reunião o vice-presidente do NDB, Roman Serov, o vice-chefe da Administração Presidencial russa, Maksim Oreshkin, e o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov.
Recado de Lula a Putin
Durante a visita a Moscou, Dilma também transmitiu ao chefe do Kremlin uma mensagem enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Do ponto de vista do Brasil, o presidente Lula encaminha suas saudações, sua consideração e apreço", disse a ex-presidente brasileira.
Criado pelos países do BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento foi estabelecido como uma alternativa de financiamento voltada a projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.
O grupo BRICS, fundado em 2009, surgiu com a proposta de ampliar a coordenação política e econômica entre economias emergentes e defender um maior equilíbrio na governança internacional.
Tecnologia, inovação e financiamento
A programação do encontro anual começou nesta quarta-feira (13) com seminários técnicos e painéis voltados a temas considerados estratégicos para os países-membros. Entre os assuntos debatidos estão inteligência artificial, energia nuclear, infraestrutura, saúde, educação, inovação tecnológica e ativos virtuais.
Segundo os organizadores, a edição deste ano também busca ampliar o intercâmbio entre empresas russas e representantes internacionais do setor financeiro e tecnológico. O evento reúne executivos de instituições financeiras de mais de dez países, além de delegações oficiais e especialistas convidados.
A agenda inclui ainda uma vitrine tecnológica dedicada à apresentação de avanços desenvolvidos por empresas russas em áreas ligadas à indústria, tecnologia e inovação.
Dilma Rousseff e integrantes do Conselho de Governadores devem discursar durante a principal sessão do evento.
Também está prevista uma coletiva de imprensa com a presidente do banco e o atual presidente do Conselho de Governadores da instituição.