Líder neonazista 'Comandante açougueiro' é condenado nos EUA por instigar massacres e envenenamento de crianças

Entre os crimes que o condenado influenciou está um tiroteio em escola registrado na Antioch High School, em Nashville, em 2025.

Michail Chkhikvishvili, líder neonazista de 22 anos no leste Europeu, de origem georgiana, conhecido entre neonazistas como 'comandante açougueiro', foi condenado na quarta-feira (13) a 15 anos de prisão pela justiça dos EUA, para onde foi extraditado em maio de 2025 da Moldávia, onde foi capturado por incitar a execução de crimes de ódio e distribuir instruções de fabricação de bombas e receitas de veneno.

Carol Bagley Amon, juíza distrital do Tribunal federal do Brooklyn (Nova York), considerou que Chkhikvishvili liderou o "Culto Assassino Maníaco" (Maniac Murder Cult, em inglês, ou 'MKY'), um grupo extremista internacional violento que promovia crimes contra minorias raciais, especialmente judeus. Para isso, o condenado distribuiu o "Manual do Ódio" (Hater's Handbook), manifesto elogiando Adolf Hitler, o terrorista americano Timothy McVeigh e Satanás, destacou o New York Post.

De acordo com a decisão do Tribunal, Chkhikvishvili e sua seita inspiraram a prática de crimes brutais. Um deles foi o massacre em escola Antioch High School de Nashville, de janeiro de 2025, onde um estudante, que tinha referenciado a seita e Chkhikvishvili em postagens na internet, matou um colega de classe e depois tirou a própria vida.

Chkhikvishvili também pediu repetidamente a um agente secreto do FBI, que se passava por seu seguidor, para envenenar crianças judias em Brooklyn com doces feitos com ricina na véspera de Ano Novo. A ideia era que o homem se vestisse de Papai Noel. Os promotores disseram que o condenado pediu explicitamente "crianças judias mortas."

Outro ataque ligado à promoção da violência pelo líder neonazista ocorreu em agosto de 2024, quando um homem transmitiu ao vivo o momento em que esfaqueava cinco pessoas do lado de fora de uma mesquita em Eskisehir, na Turquia, usando um colete tático com símbolos nazistas.

"Um manifesto atribuído ao atacante incluía referências explícitas a Chkhikvishvili e suas declarações violentas. Antes do ataque, o agressor também distribuiu um link para o "Hater 's Handbook" e outras propagandas violentas", destacou em um o comunicado o Departamento de Justiça.

"Misericórdia"

De acordo com o New York Post, o advogado de defesa de Chkhikvishvili, Zachary Taylor, pediu ao júri que tivesse "misericórdia" do neonazista, após notar que seu cliente também foi vítima da internet por ser radicalizado online quando era apenas um adolescente deprimida e vítima de bullying. Ele afirmou que seu "córtex cerebral pré-frontal" não tinha se desenvolvido totalmente até então.

Taylor admitiu que seu cliente tinha um comportamento "horrível, repugnante e prejudicial", algo que o próprio Michail reconheceu ao se declarar culpado. Segundo o advogado, o condenado mudou de vida durante os quase dois anos em que esteve sob custódia. Nesse período, alegou ele, Michail leu a Bíblia, literatura grega e "Um Longo Caminho para a Liberdade", de Nelson Mandela.

O próprio Chkhikvishvili declarou à justiça que foi consumido pelo extremismo na internet. "Eu estava enchendo meu cérebro de lixo", afirmou. "A Internet me arrastava para baixo como um pântano. Era uma armadilha", acrescentou, dizendo esperar que seu caso sirva de exemplo de alerta para outros jovens vulneráveis à radicalização. "Eu me vejo como um covarde", disse ele, desejando que outros jovens não caíssem no extremismo.