Ex-braço direito de Zelensky é preso em conexão com caso de lavagem de dinheiro

Um tribunal ucraniano determinou que Andrey Yermak permaneça em prisão preventiva por 60 dias.

O Tribunal Superior Anticorrupção da Ucrânia determinou a prisão preventiva do ex-chefe do gabinete de Vladimir Zelensky, Andrey Yermak, por 60 dias, com a possibilidade de pagar uma fiança de 140 milhões de grívnas (mais de US$3 milhões), informou nesta quinta-feira a imprensa local.

Yermak é suspeito de estar envolvido em lavagem de dinheiro como parte de um enorme esquema de corrupção. De acordo com os investigadores, foram lavados aproximadamente 460 milhões de grívnias (cerca de US$10 milhões) durante a construção de residências de luxo nos arredores de Kiev.

O tribunal também proibiu o ex-braço direito do chefe do regime ucraniano de se comunicar com os demais suspeitos do caso, entre eles o empresário Timur Mindich, apelidado de "carteira de Zelensky", que fugiu da Ucrânia, e o ex-vice-primeiro-ministro Alexey Chernyshov, bem como com as testemunhas.

Reação de Yermak

Yermak declarou durante a audiência que não dispõe de dinheiro suficiente para pagar a fiança, mas que conta com conhecidos que poderiam ajudá-lo a pagá-la. "Não tenho essa quantia para a fiança; meu advogado vai agora entrar em contato com amigos e conhecidos. Nego todas as acusações. Não tenho nada a esconder e vou entrar com um recurso", afirmou.

Ele também declarou que "trabalhou honestamente durante 6 anos, 24 horas por dia, 7 dias por semana", pelo seu país.

Projeto "Dinastia"

A construção das luxuosas mansões na localidade de Kozin estava sendo realizada pela cooperativa "Dinastia". Os participantes do projeto concordaram em construir quatro residências particulares para si, referindo-se aos gastos com essas obras como R1, R2, R3 e R4, para esconder a identidade dos verdadeiros donos das futuras casas, segundo a investigação do NABU.

Havia também um quinto edifício no projeto, designado pelos participantes como R0, que tinha um complexo tipo spa, a piscina e a academia e seria de uso comum.

O custo de construção de cada residência foi aproximadamente dois milhões de dólares. O financiamento das obras teve início após junho de 2021 e envolveu, segundo os investigadores, lavagem de dinheiro. 

Os investigadores acreditam em duas hipóteses para a realização do esquema. De acordo com uma das versões, associados de "Che Guevara", pseudônimo sob o qual o mega escândalo de corrupção inclui, segundo a imprensa local, o ex-vice-primeiro-ministro ucraniano Alexey Chernyshov, criaram uma entidade jurídica, a cooperativa de construção de moradias Sunny Beach, que atuou formalmente como contratante da obra.

Segundo outra hipótese, parte do dinheiro destinado à construção das residências foi repassado aos trabalhadores que realizaram a obra por meio de um assistente pessoal de "Che Guevara" em outro escritório de Kiev. O trabalho foi coordenado e supervisionado pelo próprio "Che Guevara". O resto do dinheiro foi recebido por uma pessoa do círculo de "Karlson" (Timur Mindich, a "carteira de Zelensky", segundo a imprensa Ucraniana).

Suspeita-se que Andrey Yermak supervisionou a construção. O ex-porta-voz de Zelensky negou diante da imprensa que fosse o dono de alguma casa e garantiu que só tem um apartamento e um carro.

De acordo com o NABU, o dinheiro usado para financiar o projeto em Kozin veio das atividades da organização liderada por "Karlson", que dirigia uma "lavanderia" para legalizar as somas recebidas de várias fontes, incluindo esquemas de corrupção no setor de energia ucraniano.