O que se sabe sobre missão de UE e Reino Unido no Estreito de Ormuz?

Bruxelas avalia ampliar a operação Aspides, enquanto Londres lidera uma coalizão internacional com cerca de 40 países.

A União Europeia (UE) e o Reino Unido avançam nos planos para mobilizar uma missão naval internacional no Estreito de Ormuz, com o objetivo declarado de proteger o fluxo de petróleo em uma rota por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

A passagem permanece bloqueada desde o início do conflito no Oriente Médio, após o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o que afetou gravemente o fluxo energético global e pressionou os preços para cima.

O objetivo da ação conjunta em planejamento é escoltar navios comerciais pela sensível rota marítima, algo que as partes envolvidas afirmaram que só ocorrerá quando as circunstâncias permitirem.

Do mar Vermelho ao Estreito de Ormuz

Segundo a alta representante da UE para Assuntos Exteriores, Kaja Kallas, Bruxelas avalia ampliar a operação europeia Aspides.

"'Aspides' é uma operação naval que já está na região e cujo alcance operacional também inclui o Estreito de Ormuz. Bastaria mudar o mandato e seriam necessários mais navios", destacou Kallas em entrevista coletiva em Bruxelas após uma reunião do Conselho de Assuntos Exteriores (CAE) de Defesa.

A proposta é que a missão, mobilizada desde 2024 no mar Vermelho para escoltar embarcações e protegê-las de ataques das forças rebeldes houthis do Iêmen, amplie suas funções para Ormuz quando as condições de segurança forem adequadas.

No âmbito de uma reunião de ministros da Defesa em Bruxelas, Kallas explicou na terça-feira (12) que a ampliação seria tecnicamente simples, já que seria necessário apenas "alterar o plano operacional" do mandato.

Embora tenha afirmado que "a missão já conta com toda a estrutura necessária", ela também reconheceu que seria preciso um esforço maior dos Estados-membros com o envio de mais unidades navais, segundo declarações citadas pelo Infodefensa.

Atualmente, a Aspides conta com três navios militares europeus, recursos considerados insuficientes para transformar a missão na contribuição comunitária para uma coalizão internacional mais ampla, liderada pelo Reino Unido e pela França, proposta que também está em discussão.

'Coalizão de voluntários'

A outra opção, surgida da pressão internacional para avançar no desbloqueio do Estreito de Ormuz, é o desenvolvimento da "coalizão de voluntários" impulsionada pelos dois países europeus e que já reúne cerca de 40 Estados, com foco em proteger a rota marítima após a redução dos combates.

Aparentemente, a ideia é coordenar a estrutura naval europeia já existente, reformulada e reforçada, com a nova força em criação.

Nesse contexto, Londres já anunciou novos recursos militares para a formação da futura força. O ministro da Defesa britânico, John Healey, informou que destinará 115 milhões de libras esterlinas extras (cerca de 155 milhões de dólares) para a nova missão.

Entre as contribuições britânicas estão drones detectores de minas, sistemas antidrones e caças Typhoon, além do destróier HMS Dragon, o navio mais avançado da Marinha britânica. O anúncio foi feito na terça-feira (12), durante uma cúpula virtual com 40 ministros da Defesa para discutir o tema.

"Junto com nossos aliados, essa missão multinacional será defensiva, independente e confiável", afirmou Healey durante a cúpula organizada em conjunto com a França.

Apesar da liderança na nova operação, Londres tem insistido repetidamente que não participará diretamente de ataques contra o Irã, embora tenha permitido aos Estados Unidos o uso de suas instalações militares.

As duas iniciativas, tanto a da UE quanto a britânica, surgem em um momento de incerteza dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Por um lado, cresce a preocupação com a vulnerabilidade das rotas marítimas e, por outro, aumentam os desacordos internos na aliança liderada pelos Estados Unidos, em meio a constantes críticas e exigências do presidente Donald Trump aos aliados.

Além disso, o conflito no Oriente Médio segue entre as negociações de Washington e Teerã por um acordo, em meio a uma frágil trégua, enquanto a maioria das potências concentra esforços para normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz e conter os impactos sobre a estabilidade da economia global diante da volatilidade dos preços da energia.