A rede de exploração sexual e tráfico de menores liderada pelo criminoso sexual americano Jeffrey Epstein contou com o apoio de gigantes financeiras e utilizou serviços exclusivos para dificultar o rastreamento de suas operações, informou nesta terça-feira (12) a Bloomberg.
Segundo a publicação, durante anos o escritório do falecido predador sexual utilizou a American Express, uma das instituições financeiras mais conhecidas do mundo, para organizar viagens de mulheres captadas pela rede de tráfico liderada por Epstein.
O bilionário tinha acesso a uma série de privilégios e benefícios que dificultavam o trabalho das autoridades para rastrear as atividades financeiras realizadas com seu cartão Centurion, popularmente conhecido como 'Cartão Black'.
Cartão Black
O "cartão black" é o produto mais exclusivo da American Express. Apenas clientes com gastos muito elevados têm acesso a ele, sendo convidados diretamente pela empresa para receber esse benefício.
Epstein utilizava uma série de serviços especiais oferecidos pela American Express a clientes de alta renda, o que facilitava as transações relacionadas ao transporte das mulheres captadas principalmente em países do Leste Europeu, sem levantar suspeitas ou investigações.
Entre as facilidades oferecidas pela companhia estavam serviços de agentes de viagem, equipe dedicada a fornecer contatos, resolver situações críticas, emergências e questões logísticas que pudessem surgir durante as viagens.
Isenção de responsabilidade
Para se desvincular do caso, um porta-voz da Amex, como a companhia também é conhecida, declarou à CBS que a multinacional financeira "condena veementemente o abuso, a exploração e o tráfico de pessoas" e acrescentou que "leva muito a sério suas responsabilidades legais e regulatórias, incluindo a denúncia de atividades suspeitas".
Em fevereiro passado, quando uma nova leva de arquivos de Epstein apareceu no portal do Departamento do Tesouro, a American Express lamentou ter tido o predador sexual como cliente VIP e afirmou que encerrou sua conta após as acusações contra ele se tornarem públicas.
Apesar das desculpas, os e-mails analisados pela imprensa mostram que, entre as reservas feitas por Epstein e gerenciadas pelas agências de viagens da Centurion, havia passageiras menores de idade, o que também não gerou alertas.