A primeira-dama Janja Lula da Silva criticou na segunda-feira (11) a circulação de vídeos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro consumindo produtos da marca Ypê em reação à decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de recolher lotes da fabricante por risco de contaminação microbiológica.
A declaração foi feita durante cerimônia no Palácio do Planalto em homenagem às vítimas da covid-19. Sem citar diretamente a marca, Janja relacionou o episódio à disseminação de desinformação envolvendo temas de saúde pública.
"Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância", afirmou.
Nos últimos dias, vídeos publicados nas redes sociais mostraram apoiadores de Bolsonaro ingerindo detergente, esfregando produtos da marca no corpo e utilizando itens da Ypê como forma de contestar a decisão da Anvisa.
Parte das publicações associou a medida sanitária a uma suposta perseguição política contra empresários ligados à direita.
A mobilização ganhou força depois que veio à tona que integrantes da família Beira, ligada à empresa, realizaram doações para a campanha presidencial de Bolsonaro em 2022.
Políticos e influenciadores alinhados ao ex-presidente passaram então a incentivar a compra de produtos da marca nas redes sociais.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma imagem de um detergente da Ypê em meio às manifestações de apoio à empresa. O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL-SP), também incentivou seguidores a comprarem produtos da fabricante.
Governo rebate acusações contra Anvisa
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também comentou o caso e rejeitou as acusações de motivação política envolvendo a decisão da Anvisa.
Segundo ele, a medida seguiu critérios técnicos e partiu de uma diretoria da agência ligada ao governo anterior.
"O diretor responsável foi assessor e secretário-executivo de ministro do governo Bolsonaro e hoje cumpre uma função técnica na Anvisa”, afirmou.
Padilha também alertou para os riscos da ingestão de detergente e criticou a tentativa de transformar uma medida sanitária em disputa política.
O que diz a Anvisa
A Anvisa informou que a suspensão e o recolhimento dos produtos foram definidos após inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária na unidade da Química Amparo, em Amparo (SP).
Segundo a agência, foram identificadas falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade, além de risco de contaminação microbiológica.
A resolução atinge detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes de numeração final 1.
Mesmo após a suspensão temporária da medida por decisão judicial, a agência manteve a recomendação para que consumidores não utilizem os produtos atingidos.