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'O povo patriota da direita cristã é instruído': Bolsonaristas defendem Ypê contra decisão da Anvisa

Publicações nas redes sociais associaram medida da agência sanitária a doações da empresa à campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e incentivaram a compra de produtos da marca.
'O povo patriota da direita cristã é instruído': Bolsonaristas defendem Ypê contra decisão da AnvisaReprodução/Divulgação Redes Sociais

A suspensão de parte da produção da Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) provocou mobilização entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

Desde o anúncio da medida, em 7 de maio, internautas e políticos ligados à direita passaram a publicar mensagens em defesa da empresa e a incentivar o consumo de produtos da marca.

Uma das publicações que circularam entre apoiadores da marca defendia que consumidores ligados à direita não seriam influenciados pela decisão da agência.

Em alguns posts, apoiadores da marca apareceram ingerindo detergente e outros produtos de limpeza da Ypê diante das câmeras. Os vídeos foram compartilhados como forma de contestar a decisão da Anvisa e circularam entre perfis ligados à direita nas redes sociais.

As manifestações começaram após a suspensão de linhas de produção da fábrica da empresa em Amparo, interior de São Paulo. Parte dos apoiadores de Bolsonaro passou a relacionar a medida ao fato de os proprietários da empresa terem realizado doações para a campanha do ex-presidente nas eleições de 2022.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou nas redes sociais uma imagem de um detergente da Ypê em meio às manifestações de apoio à empresa.

O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL-SP), também incentivou apoiadores a comprarem produtos da marca. "Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram, marca a Ypê", declarou.

O que diz a Anvisa

A Anvisa afirmou que a suspensão da produção foi adotada com base em critérios técnicos e em análise de risco sanitário. Segundo a agência, inspeções realizadas em conjunto com órgãos estaduais e municipais identificaram falhas nos sistemas de controle de qualidade e nos processos de fabricação.

A agência informou ainda que, apesar do efeito suspensivo obtido pela empresa após a apresentação de recurso contra a Resolução 1.834/2026, mantém a orientação para que consumidores não utilizem os produtos atingidos pela medida.

Segundo a Anvisa, cabe à fabricante orientar clientes sobre recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou outras providências por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

De acordo com a agência, as irregularidades identificadas comprometem requisitos de Boas Práticas de Fabricação e podem apresentar risco à saúde, incluindo possibilidade de contaminação microbiológica.

A resolução publicada pela Anvisa suspendeu a fabricação e determinou o recolhimento de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca com lotes de numeração final 1.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou na segunda-feira (11) que a Anvisa analisa medidas jurídicas após a circulação dos vídeos em que pessoas aparecem bebendo o produto químico.

O que diz a Ypê

Em nota, a empresa informou que mantém suspensas, desde 7 de maio, as linhas de produção de produtos líquidos da unidade citada pela agência, incluindo lava-roupas, lava-louças e desinfetantes ligados aos lotes questionados.

Segundo a empresa, a medida foi mantida "independentemente do efeito suspensivo obtido com o nosso recurso" e busca acelerar a implementação das adequações apontadas durante a fiscalização.

Próximos passos 

A diretoria colegiada da Anvisa deve analisar na quarta-feira (13) o recurso apresentado pela fabricante contra a suspensão da produção e comercialização de determinados lotes de produtos de limpeza.