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Superbactéria resistente a antibióticos é encontrada em mananciais de água de Porto Alegre

Pesquisadores da UFRGS identificaram a bactéria Acinetobacter baumannii em quatro pontos da capital gaúcha, com uma das amostras sendo imune a 14 antibióticos.
Superbactéria resistente a antibióticos é encontrada em mananciais de água de Porto AlegreGettyimages.ru / Manjurul

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) detectaram a presença da bactéria Acinetobacter baumannii, que apresenta super-resistência a antibióticos,em amostras de água coletadas em quatro pontos de Porto Alegre, segundo uma publicação recente no âmbito dos projetos ClimaRes WaSH e CLIMASANO.

A bactéria foi encontrada na praia do Lami, na praia de Ipanema (Zona Sul), no Guaíba próximo à foz do arroio Dilúvio e perto da Estação de Bombeamento de Água Pluvial (EBAP) Menino Deus.

O maior motivo de preocupação foi a amostra coletada na EBAP Menino Deus, já que o micro-organismo se mostrou resistente a todos os 14 antibióticos testados, incluindo ceftazidima, imipenem, meropenem e ciprofloxacino.

Nos demais locais, os microrganismos também apresentaram resistência a uma ampla gama de antibióticos.

Bactéria altamente perigosa

Acinetobacter baumannii é uma bactéria gram-negativa, ou seja, possui uma estrutura celular que a torna naturalmente resistente a muitos antibióticos. É considerada um patógeno oportunista, pois geralmente causa infecções em pessoas com sistema imunológico enfraquecido, como pacientes hospitalizados, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

A A. baumannii foi listada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024 como uma das bactérias mais perigosas do mundo, devido às altas taxas de mortalidade, transmissibilidade e difícil tratamento.

A bactéria pode causar infecções no sangue, trato urinário, pulmões (pneumonia) ou feridas. Em alguns casos, as pessoas podem ser portadoras da bactéria sem serem infectadas.

A equipe da UFRGS informou que realizará o sequenciamento genômico das amostras para investigar o perfil de resistência e avaliar uma possível relação genética com cepas do surto ocorrido em abril na UTI neonatal do Hospital Fêmina, que resultou na morte de um bebê prematuro.

Confira a íntegra da nota à comunidade abaixo: