Mais de 40% dos brasileiros dizem conviver com facções no bairro onde moram

Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta avanço de facções e milícias para além das capitais.

A presença de facções e milícias no entorno das residências é reconhecida por 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais, segundo relatório divulgado no domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento indica que cerca de 68,7 milhões de pessoas vivem em bairros onde há atuação de grupos criminosos organizados. A percepção é maior nas capitais, com 55,9%, mas também aparece nas regiões metropolitanas, com 46%, e no interior, com 34,1%.

Segundo o relatório, a expansão reflete a difusão territorial de grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho, que passaram a usar cidades fora dos grandes centros como áreas logísticas e de disputa.

Entre os entrevistados que reconhecem a presença dessas organizações, 61,4% afirmam que elas influenciam muito ou moderadamente as regras de convivência local.

"Você tem o poder do Estado, mas também tem o poder do crime, que se coloca como um regulador da vida das pessoas que vivem nesses territórios e que, enfim, impõe uma série de regras e normas sobre o que pode e o que não pode ser feito nesses lugares", disse Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum.

Presença de facções eleva violência

O estudo também mostra impactos no cotidiano. Entre os moradores dessas áreas, 81% temem ficar no meio de um confronto armado, 74,9% evitam certos locais, 65,2% deixam de circular em determinados horários e 64,4% têm medo de represálias caso denunciem crimes.

A vitimização também cresce nesses territórios. A média nacional é de 40,1%, mas sobe para 51,1% em bairros com presença do crime organizado. Nesses locais, o roubo de celular passa de 8,3% para 12,1%, e o roubo à mão armada vai de 3,8% para 6,5%.