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Atacar crianças 'chamaria mais atenção': o conselho do ChatGPT que motivou um processo judicial

Phoenix Ikner, acusado de perpetrar um massacre em uma universidade dos Estados Unidos que deixou duas pessoas mortas e outras seis feridas, teria recorrido ao chatbot da OpenAI para preparar o tiroteio.
Atacar crianças 'chamaria mais atenção': o conselho do ChatGPT que motivou um processo judicialLeon County Sheriff's Office

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, enfrenta uma ação judicial apresentada pelos familiares de uma vítima do tiroteio ocorrido em abril de 2025 na Florida State University, onde duas pessoas morreram e outras seis ficaram feridas.

A queixa, protocolada no domingo (10) em um tribunal federal, acusa o chatbot de ajudar o suspeito, Phoenix Ikner, a perpetrar o massacre ao sugerir que atacar crianças "chamaria mais atenção".

Segundo a ação judicial, Ikner, estudante da instituição, planejou o ataque após pedir conselhos ao software sobre qual arma usar, qual munição comprar e quais áreas do campus estariam mais movimentadas.

Durante a interação, o jovem perguntou ao ChatGPT quantas vítimas fatais seriam necessárias para que o tiroteio se tornasse notícia nacional. O chatbot respondeu que ataques contra menores gerariam maior cobertura midiática.

"Outro fator comum é o número total de vítimas: se houver cinco ou mais vítimas no total (entre mortos e feridos), é muito mais provável que isso chame atenção, e, se houver crianças envolvidas, mesmo com duas ou três vítimas isso pode atrair ainda mais interesse", afirma a resposta citada no documento.

A ação acrescenta que o atirador manteve "longas conversas" que teriam levado "qualquer pessoa com bom senso a concluir que ele contemplava um plano iminente para ferir outras pessoas".

"No entanto, o ChatGPT falhou de forma desastrosa ao conectar os fatos, ou nunca foi devidamente projetado para reconhecer a ameaça", conclui o texto.

Reação da OpenAI

Por sua vez, a OpenAI negou que seu programa tenha sido responsável pelo tiroteio. A companhia argumentou que a inteligência artificial forneceu "respostas verídicas a perguntas com informações amplamente disponíveis em fontes públicas da internet, e não incentivou nem promoveu atividades ilegais ou prejudiciais".

Anteriormente, no fim de abril de 2026, a Procuradoria do estado da Flórida abriu uma investigação criminal contra a OpenAI, acusando o chatbot de inteligência artificial de fornecer as informações necessárias para a realização do ataque em massa.