A alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, afirmou que os chanceleres do bloco se reuniram nesta segunda-feira (11) para decidir sobre a imposição de sanções a colonos israelenses na Cisjordânia.
"Espero que se alcance um acordo político sobre as sanções a colonos violentos. Espero que consigamos", disse Kallas. Ela acrescentou que alguns Estados-membros já haviam apresentado suas propostas, mas que a aprovação depende de uma decisão comum.
Parte dos ministros que compareceram a Bruxelas demonstrou insatisfação com a demora da UE em agir, conforme reportou o site Politico.
"Não podemos tomar nenhuma medida simplesmente porque sempre haverá países hesitantes", afirmou o chanceler de Luxemburgo, Xavier Bettel. Seu colega dos Países Baixos, Tom Berendsen, defendeu medidas ainda mais duras. "Estamos trabalhando em uma proibição total dos produtos provenientes de assentamentos ilegais", destacou. Berendsen acrescentou que os ministros discutirão outras ideias, inclusive a imposição de tarifas.
O então primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, havia barrado em fevereiro de 2026 uma proposta de sanções contra colonos israelenses que fizeram uso de armas na Cisjordânia. Na ocasião, ele foi o único líder da UE a se opor à decisão.
Agressão como doutrina
Em 4 de maio, o comandante do Comando Central do Exército israelense, major-general Avi Bluth, reconheceu, em um fórum fechado, uma política discriminatória das tropas na Cisjordânia. Ele destacou que Israel está optando por uma estratégia de "agressão precisa" para evitar a repetição de um ataque como o do Hamas em 7 de outubro de 2023 e afirmou que o Exército matou 1,5 mil "terroristas" em três anos. "Estamos matando como não fazíamos desde 1967", disse, referindo-se ao período em que Israel ocupou a Cisjordânia após a Guerra dos Seis Dias e consolidou o controle militar do território.
Bluth também classificou o lançamento de pedras por palestinos como "terrorismo" e afirmou que, em 2025, 42 supostos indivíduos que atiravam pedras em estradas foram mortos. Ele contrastou essa resposta com a relutância em atirar contra colonos ou ativistas judeus que arremessam pedras em veículos, embora "o perigo seja o mesmo".