Os aeroportos alemães estão se preparando para um verão com mais cancelamentos de voos devido à crise do querosene causada pela guerra no Oriente Médio, cujo impacto pode se concentrar em companhias aéreas de baixo custo e destinos turísticos menos populares, destaca o setor.
"Devemos temer que mais voos sejam cancelados, especialmente os de companhias aéreas de baixo custo e aqueles para destinos menos importantes", disse Ralph Beisel, CEO da associação aeroportuária ADV, ao jornal Welt, no sábado (9).
O executivo alerta que o impacto poderá se estender. "Não esperamos um retorno à normalidade nos próximos meses", afirmou. No melhor cenário, prevê uma estagnação no número de passageiros; no pior, uma redução da capacidade de até 10% em alguns aeroportos.
"Extrapolando para todos os aeroportos, 20 milhões de passageiros seriam afetados ", prevê, especificando que algumas rotas deixariam de operar e outras teriam menos frequências e tarifas mais elevadas.
Altas nos preços
Beisel também destaca que cortes podem ocorrer mesmo sem uma escassez física de combustível, já que os custos já estão pressionando a lucratividade.
"O querosene está mais que o dobro mais caro do que antes da guerra comercial [EUA-Irã] há mais de dois meses, e não esperamos que os preços se normalizem nos próximos meses", afirma, observando que o combustível normalmente representa cerca de 30% dos custos operacionais de uma companhia aérea.
Diante desse cenário, os aeroportos solicitaram auxílio governamental e pediram a suspensão temporária do imposto sobre o transporte aéreo e, a médio prazo, uma redução de pelo menos metade desse valor.
Beisel também cita o caso da companhia aérea americana de baixo custo Spirit, que, segundo ele, encerrou suas operações devido ao aumento dos preços do querosene, e os alertas de prejuízo emitidos pela American Airlines e pela United Airlines pelo mesmo motivo.