
Bloqueio marítimo dos EUA dificilmente causará crise imediata no Irã, dizem analistas

O Irã poderá suportar durante meses o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos sem enfrentar uma grande crise econômica ou danos duradouros à sua infraestrutura petrolífera, afirmaram especialistas e analistas citados pela NBC News neste sábado (9).
Após os EUA imporem o bloqueio naval há cerca de um mês, o presidente Donald Trump e membros de seu governo sugeriram que a medida provocaria uma crise imediata no setor energético iraniano. No entanto, analistas do setor e funcionários ocidentais familiarizados com avaliações de inteligência afirmam que Teerã possui experiência em lidar com restrições desse tipo e pode resistir à pressão por um longo período.

"Não acredito que isso vá causar danos tremendos à infraestrutura deles", afirmou Gregory Brew, do grupo de análise Eurasia Group. "Eles sabem como fazer isso. Já fizeram antes", acrescentou, referindo-se à capacidade do país de administrar cortes sem comprometer permanentemente sua indústria energética.
Brew destacou que a República Islâmica já reduziu sua produção de petróleo em pelo menos duas ocasiões nos últimos 15 anos devido às sanções dos Estados Unidos, o que, segundo ele, reduz o impacto imediato do bloqueio.
Bloqueio naval mútuo
Embora os quase 40 dias de intensas hostilidades tenham terminado com uma trégua entre Estados Unidos e Irã no último dia 7 de abril, as tensões permanecem elevadas devido ao fracasso das negociações de paz, à troca de ataques verbais e ao bloqueio naval mútuo de embarcações comerciais entre o golfo Pérsico e o mar Arábico.
Na segunda-feira (4), as forças iranianas voltaram a alertar navios comerciais e petroleiros para que evitem transitar pelo estreito de Ormuz sem coordenação prévia com as Forças Armadas iranianas, responsáveis pelo controle da rota estratégica.
O Irã iniciou um bloqueio parcial do estreito de Ormuz em resposta à ofensiva conjunta de EUA e Israel contra o país persa. Paralelamente, Teerã trabalha em uma legislação que prevê a cobrança de pedágios pelo trânsito marítimo na região.
