O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou nesta quinta-feira (7) que parte das armas que chegam ao país vem dos EUA. A declaração foi feita à imprensa após encontro com seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca.
Segundo Lula, um dos temas tratados com o presidente americano foi justamente o combate ao crime organizado. "Decidimos tratar daqueles temas que pareciam tabus", enfatizou, destacando que "tem lavagem de dinheiro que é feita em estados americanos".
"Disse ao presidente que muitas vezes os EUA falavam em combater o crime organizado, a questão das drogas, tentando manter bases militares dentro de outros países, quando, na realidade, para que os países deixem de plantar ou fabricar o que chamamos de droga, é necessário criar alternativas econômicas para esses países", sustentou.
Nesse sentido, Lula disse ter oferecido a Trump a disposição do Brasil para criar "um grupo de trabalho" com todos os países da América Latina, ou talvez com todas as nações do mundo, para combater o crime organizado. Lula também relatou ao norte-americano a experiência que o Brasil tem no combate ao tráfico de armas e drogas e a expertise de instituições como a Polícia Federal.
"Reunião muito boa"
Anteriormente, Trump afirmou que "a reunião foi muito boa" e informou que, durante o encontro, os dois líderes conversaram sobre "muitos temas", entre eles "o comércio e, em particular, as tarifas".
No ano passado, o presidente americano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e posteriormente retirou a maior parte delas. No entanto, essas mercadorias continuam sujeitas a uma taxa adicional de 10%, que expira em julho, embora existam relatos de que novas medidas possam ser adotadas.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, indicou que, além desses assuntos, também foram discutidos os minerais críticos. "A reunião foi muito produtiva e agora temos áreas nas quais trabalhar", declarou o ministro à imprensa.
Consolidação da relação Brasil-EUA
Durante a coletiva de imprensa, Lula afirmou que retornará ao Brasil com a ideia de que foi dado um passo importante "na consolidação da histórica relação democrática que o Brasil tem com os EUA".
"As duas maiores democracias do continente podem servir efetivamente como exemplo para o mundo. Somos as duas maiores democracias do hemisfério", comentou.