O presidente dos EUA, Donald Trump, não planeja invadir Cuba, afirmou, nesta quinta-feira (7), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, após se reunir com o republicano na Casa Branca.
"O que eu ouvi, não sei se a tradução foi correta, é que ele disse que não pensa em invadir Cuba. Isso foi dito pela intérprete, e acho que é um grande sinal", afirmou Lula durante uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Washington.
A declaração foi celebrada pelo líder brasileiro, que defendeu o "diálogo" para que seja possível "encontrar uma solução para o bloqueio" que os EUA impõem há décadas à ilha.
"O bloqueio mais longevo da história da humanidade", enfatizou Lula, que se ofereceu como mediador para encontrar uma saída pacífica.
"Estou à disposição. Se precisar que o Brasil converse com qualquer país sobre a questão das interferências americanas, seja em Cuba ou no Irã, o Brasil está disposto a conversar", comentou.
No entanto, ele ressaltou que sua visita a Washington foi voltada "especialmente para discutir assuntos brasileiros", como o comércio entre os dois países e o papel do Brasil em relação aos minerais críticos, entre outros temas.
Ameaça dos EUA a Cuba
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- No dia 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que o país está chegando "ao fim da linha".
- Em maio, o gabinete do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou novas medidas coercitivas unilaterais contra Havana. Cuba classificou a mais recente investida de Washington como um "castigo coletivo" que pretende "submeter toda a população cubana à fome e ao desespero".