
Divisão na Europa aumenta com novo acordo comercial com os EUA

Negociadores da União Europeia não conseguiram chegar a um consenso sobre pontos centrais do acordo comercial com os Estados Unidos em uma reunião realizada na quarta-feira (29), informou o Politico nesta quinta-feira (7).
O encontro reuniu legisladores europeus e representantes de governos do bloco. As conversas duraram cerca de seis horas, mas não resultaram em uma posição comum.

O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, defendeu um compromisso para reduzir a instabilidade nas relações comerciais com Washington. Ainda assim, os negociadores mantiveram divergências sobre os principais temas em debate.
A falta de definição ocorre em meio a novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 25% as tarifas sobre automóveis e caminhões fabricados na Europa.
Pressão por novas condições
Parlamentares europeus passaram a adotar uma posição mais rígida após declarações de Trump sobre a anexação da Groenlândia.
Entre as exigências discutidas estão mecanismos para adiar a aprovação do tratado até que Washington reduza tarifas sobre o aço. Outra proposta prevê suspender a aplicação do acordo caso os EUA violem a integridade territorial da União Europeia.
Um funcionário ouvido pelo Politico afirmou que os negociadores não chegaram a um entendimento sobre nenhum dos pontos controversos.
Tarifas ainda travam acordo
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está na fase final de implementação dos compromissos tarifários pendentes. Segundo ela, os EUA ainda precisam cumprir o teto negociado.
O acordo prevê que a UE elimine tarifas sobre bens industriais americanos. Em troca, Washington aplicaria limite de 15% para a maioria dos produtos europeus.
Bruxelas, porém, critica a ampliação, em agosto, de uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio, medida que atingiu centenas de produtos.
Ministros europeus rejeitaram as acusações de Trump de que o bloco não cumpre integralmente o acordo. Eles afirmam que a UE segue disposta a aprovar o tratado e cumpre os procedimentos legislativos internos.

