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Nova teoria reabre investigação de um dos assassinatos mais famosos da Itália

Após quase duas décadas, novas evidências podem levar os investigadores a reconsiderar quem foi o responsável pela morte de Chiara Poggi.
Nova teoria reabre investigação de um dos assassinatos mais famosos da ItáliaLaPresse / Legion-Media

A Justiça italiana reabriu o caso do assassinato de Chiara Poggi, uma jovem de 26 anos cujo corpo foi encontrado em 2007 em Garlasco, na Itália. O crime comoveu o país e gerou décadas de debate judicial, informa a Reuters em publicação nesta quarta-feira (6).

Alberto Stasi, então namorado da vítima, foi quem alertou a polícia sobre a descoberta do corpo em agosto daquele ano. O fato o transformou rapidamente de testemunha em principal suspeito e acusado. Apesar da ausência de confissão, da arma do crime e de uma motivação clara, a investigação se baseou em provas forenses e em contradições em seu álibi.

Após ser absolvido em duas instâncias, a Suprema Corte italiana ordenou um novo julgamento, que terminou em 2015 com uma condenação de 16 anos de prisão para Stasi. A decisão provocou profunda divisão na opinião pública do país.

Nova evidência, novo suspeito

O caso voltou à tona devido a uma nova teoria investigada pelos promotores. Novos estudos forenses indicam que os vestígios de DNA masculino encontrados sob as unhas de Poggi são compatíveis com Andrea Sempio, amigo do irmão da vítima.

Sempio, que nega ser o autor do crime, foi convocado nesta quarta-feira (6) em Pavia como suspeito de ser o único responsável pela morte de Poggi. A polícia também investiga acusações de que sua família teria subornado um promotor para excluí-lo da lista de suspeitos.

"[O caso] fascinou a Itália porque tudo foi claramente um escárnio da Justiça", opinou Gianni Riotta, jornalista italiano que dirigia o principal telejornal da emissora estatal RAI quando o crime ocorreu. "O julgamento foi um circo. Havia muitas lacunas no caso e, ainda assim, conseguiram uma condenação", acrescentou.

"Aqui as pessoas não param de dizer que a Itália tem o melhor sistema judicial do mundo. Bem, se isso é verdade, como acabamos com esse desastre?", concluiu.