Transplante inédito permite produção de espermatozoides em homem estéril

Procedimento usou tecido testicular congelado na infância. Caso pode ampliar alternativas para pacientes que preservaram material antes da puberdade.

Um homem estéril de 27 anos produziu espermatozoides após o primeiro transplante de tecido testicular registrado na história, informou o jornal The Guardian, na segunda-feira (4). O material havia sido congelado quando ele era criança, antes de passar por tratamento de quimioterapia.

Aos 10 anos, o paciente apresentava quadro de anemia falciforme, doença hereditária que pode bloquear o fluxo sanguíneo, causar dor e provocar danos a órgãos.

Como o tratamento poderia afetar sua fertilidade, médicos retiraram um testículo, dividiram o tecido em pequenos fragmentos e congelaram o material.

Em 2025, 17 anos depois do procedimento inicial, quatro fragmentos foram implantados no testículo restante e outros quatro sob a pele do escroto. Um ano depois, os enxertos foram retirados e analisados em laboratório.

Dois fragmentos implantados dentro do testículo produziram espermatozoides. Os médicos decidiram congelá-los, já que avaliam que o paciente não deve conseguir conceber naturalmente, pois os tecidos transplantados não estão ligados diretamente ao canal deferente.

"Muito mais pessoas terão esperança de poder ter filhos biológicos. É fantástico para os pacientes dos quais já temos tecido armazenado", afirmou Ellen Goossens, professora da Universidade Livre de Bruxelas e diretora do ensaio clínico. Ela classificou o resultado como "importantíssimo".

A universidade foi a primeira a armazenar tecido testicular de pacientes. Os testículos imaturos contêm células-tronco espermatogoniais, precursoras dos espermatozoides, além de células de Sertoli, responsáveis por apoiar e nutrir esse desenvolvimento.

Segundo Goossens, quando a instituição começou a realizar o procedimento, em 2002, "esse campo estava em seus estágios iniciais". Ela afirmou que, na época, não havia garantias para os pacientes.

Mais de 3 mil voluntários já armazenaram tecido testicular no mundo. A alternativa é considerada relevante para meninos antes da puberdade, já que, após essa fase, é possível preservar esperma para uso posterior em fertilização in vitro.