
Trump amplia em mais de 2000% o número de funcionários do FBI responsáveis por temas migratórios

O FBI multiplicou por 23 o número de agentes dedicados a temas migratórios nos primeiros nove meses do segundo mandato de Donald Trump, segundo registros do órgão citados pelo The Intercept na sexta-feira (1º).
Até janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca, 279 agentes atuavam em "assuntos relacionados à imigração". Em setembro, o número já passava de 6,5 mil.
O FBI tem cerca de 38 mil funcionários. Desse total, 9.161 participaram em algum momento de tarefas de controle migratório entre a posse presidencial e setembro de 2025.

"O que estamos vendo é uma escala um tanto impactante", disse ao The Intercept Aaron Reichlin-Melnick, pesquisador do Conselho Americano de Imigração.
Um estudo anterior do Instituto Cato, centro de pesquisa de políticas públicas não partidário, apontou que um em cada cinco funcionários do FBI foi redirecionado para operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA, o ICE.
Segundo o relatório, o aumento ocorreu nos primeiros dias de Kash Patel à frente do FBI, em fevereiro de 2025.
"Isso demonstra até que ponto os recursos do FBI foram colocados à disposição do ICE contra a intenção do Congresso, e o abuso dos fundos que o Congresso concede ao FBI para cumprir sua missão", afirmou David J. Bier, diretor de estudos de imigração do Instituto Cato.
- Trump endureceu a retórica anti-imigração ao defender a interrupção "permanente" da chegada de migrantes de países do chamado terceiro mundo. Ele também afirmou querer reverter o que classifica como "admissões ilegais" da era Biden.
- Segundo o presidente, a medida faria com que o sistema dos Estados Unidos "se recupere por completo". Trump define essa política como "migração inversa".
- Em setembro de 2025, o governo também adotou uma ordem para endurecer as regras migratórias, incluindo a cobrança de uma taxa de US$ 100 mil para a concessão de vistos H-1B.
